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SÃO PAULO - O faturamento das indústrias brasileiras de transformação recuou 2,3% em agosto na comparação com o mês anterior, conforme os dados dessazonalizados divulgados hoje pela Confederação Nacional das Indústria (CNI) em seu relatório mensal de indicadores industriais. Sem o cálculo de dessazonalização, o recuo no faturamento seriam bem maior, de 5,6%.

Na comparação do resultado de agosto com o mesmo período do ano passado, houve crescimento de 0,8%. No acumulado do ano, a alta nas vendas reais é de 8,2%.

Apesar da forte queda no faturamento entre julho e agosto ter sido a maior já registrada desde 2005, a CNI afirma que o fenômeno "não deve ser interpretado como quebra do bom desempenho da indústria de transformação em 2008". A entidade atribui a forte queda ao chamado "efeito calendário", decorrente de dois dias úteis a menos de agosto, tanto em relação a agosto do ano passado como em relação a julho deste ano. Além disso, o excepcional resultado registrado em julho acabou se transformando numa base de comparação elevada demais para os atuais padrões da atividade industrial.

O setor que registrou maior queda no faturamento em agosto foi o de Outros Equipamentos de Transporte, com recuo de 42,9% na comparação com julho, seguido por Refino de Álcool (-11%), Produtos Químicos (-9%) e Têxteis (-7,2%). As indústrias de Materiais Eletrônicos e Comunicação puxaram os resultados para cima, com crescimento no faturamento de 13,7% neste mesmo período, assim como também avançaram as empresas de Produtos de Metal (10,5%) e Couros e Calçados (7%). Na comparação com agosto de 2007, o setor de Papel e Celulose puxa os bons resultados com faturamento 34,6% maior. Na mão oposta, estão as indústrias de Madeira, que apresentam queda de 20,5%.

As pequenas variações dos dados dessazonalizados da comparação entre agosto e julho revelam uma acomodação da atividade industrial. As horas trabalhadas e o volume de emprego tiveram um ligeiro acréscimo de 0,1%. A massa salarial permaneceu sem variação neste período.

Já na comparação entre os meses de agosto deste ano e de 2007, a CNI apurou avanço da atividade industrial, como crescimento de 3% no número de horas trabalhadas, 4% no emprego e 3,6% na massa salarial. A variação acumulada entre os meses de janeiro e agosto é ainda mais significativa, com crescimento de 8,2% no faturamento das indústrias, avanço de 5,7% nas horas trabalhadas, incremento de 4,4% no emprego e elevação de 5,1% na massa salarial.

A utilização da capacidade instalada em agosto ficou em 84,1% no índice original da CNI, mostrando crescimento em relação a julho deste ano (83,9%) e agosto do ano passado (83,7%). No indicador dessazonalizado, agosto deste ano também mostra utilização superior da capacidade instalada, com 83,5%, frente a 83,4% de julho e 82,5% de agosto de 2007.

(Valor Online)