A participação do dólar nas reservas externas mundiais aumentou no último trimestre de 2009, após dois trimestres seguidos de queda, de acordo com dados publicados hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O crescimento ocorre em meio a receios de que a divisa possa perder seu caráter de principal moeda de reserva global, por conta da política monetária frouxa e dos déficits fiscais dos EUA.

A participação do dólar nas reservas externas mundiais aumentou no último trimestre de 2009, após dois trimestres seguidos de queda, de acordo com dados publicados hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O crescimento ocorre em meio a receios de que a divisa possa perder seu caráter de principal moeda de reserva global, por conta da política monetária frouxa e dos déficits fiscais dos EUA.<p><p>No quarto trimestre do ano passado, o dólar compunha 62,14% das reservas externas mundiais, ante 61,5% no trimestre anterior, segundo o FMI. Já a participação do euro caiu para 27,4%, ante 27,8% no terceiro trimestre, mas permaneceu acima da taxa de 26,4% registrada no quarto trimestre de 2008. A fatia do iene diminuiu para 3,01%, ante 3,23% no terceiro trimestre.<p><p>Em termos absolutos, as reservas externas alocadas somaram US$ 4,56 trilhões no quarto trimestre de 2009, de US$ 4,43 trilhões no trimestre anterior, sendo US$ 2,84 trilhões desse total em dólares. <p><p>O FMI divulgou ainda, em dados preliminares, que as reservas mundiais totais somaram US$ 8,08 trilhões no quarto trimestre, de US$ 7,86 trilhões no terceiro trimestre. No quarto trimestre de 2008, as reservas globais estavam em US$ 7,32 trilhões. Os dados não incluem as reservas da China, que somam US$ 2,4 trilhões.<p><p>A maior parte das oscilações na composição das reservas externas alocadas durante o ano passado pode ser explicada pela variação nas taxas cambiais, segundo Marc Chandler, diretor mundial de estratégia para o mercado de câmbio da Brown Brothers Harriman.<p><p>O dólar passou a maior parte de 2009 sob pressão devido à taxa de juro próxima a zero estipulada pelo banco central dos EUA, fator que estimulou os investidores a tomar empréstimos na divisa norte-americana para investir em moedas de maior retorno, como o euro. No fim de novembro, o euro atingiu o maior nível em 15 meses ante o dólar, de US$ 1,5145.<p><p>No entanto, a divulgação de uma leitura melhor que a esperada sobre a situação do mercado de trabalho dos EUA em um relatório apresentado no início de dezembro reacendeu as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) precisará elevar as taxas de juro antes dos bancos centrais da Europa e do Japão. Isso ajudou o dólar a avançar 5% ante o euro e 8% ante o iene naquele mês.<p><p>"Dado o declínio de quase 5,7% do euro ante o dólar no primeiro trimestre de 2010, enquanto o iene permaneceu estável, parece que a fatia do dólar nas reservas provavelmente crescerá neste trimestre também", afirmou Chandler.<p><p>Para Steven Pearson, diretor de estratégia para os países do G-10 do Bank of America Merrill Lynch, a participação do euro nas reservas externas mundiais pode recuar para até 25% ao longo dos próximos dois anos, por conta dos receios com a saúde fiscal de alguns países europeus. "Até que esse assunto seja resolvido, a função do euro como moeda de reserva está enfraquecida", acrescentou.<p><p>Os comentários de Pearson foram feitos antes da União Europeia e o FMI anunciarem um pacote emergencial de auxílio à Grécia que, até o momento, não conseguiu reduzir a preocupação do mercado com as dívidas do país. Nesta semana, a Grécia fez uma emissão de bônus que atraiu uma demanda inferior à prevista pelo governo. As informações são da Dow Jones.
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