Tamanho do texto

O governo conseguiu aprovar, na madrugada de ontem no Senado, o projeto que avaliza a capitalização da Petrobras, abrindo espaço para ampliar a participação da União no capital da estatal. O mercado estima que a operação vai movimentar cerca de US$ 60 bilhões (em torno de R$ 110 bilhões), o que corresponde a um terço do valor da empresa em Bolsa de Valores.

O governo conseguiu aprovar, na madrugada de ontem no Senado, o projeto que avaliza a capitalização da Petrobras, abrindo espaço para ampliar a participação da União no capital da estatal. O mercado estima que a operação vai movimentar cerca de US$ 60 bilhões (em torno de R$ 110 bilhões), o que corresponde a um terço do valor da empresa em Bolsa de Valores. Será a maior capitalização já feita no mundo. O recorde até agora é do ICBC, o maior banco da China, que em 2006 obteve US$ 21,9 bilhões em sua oferta inicial de ações. A intenção do governo - segundo quatro fontes que acompanham o processo - é adquirir, pelo menos, 50% das ações ofertadas, saindo da operação com uma fatia superior a 42% na empresa e reforçando o perfil estatal da companhia para a nova fase do pré-sal. Hoje, a União detém o controle, com 32,1%. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem 7,7% e, segundo declaração recente do presidente do banco, Luciano Coutinho, pretende acompanhar a oferta de ações. A expectativa do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, é concluir o processo até o fim de julho. No mercado, é dada como certa a diluição da participação dos acionistas minoritários, seja por causa da crise global, seja pela falta de musculatura de pequenos investidores brasileiros para seguir a oferta. Eles representam 22% do capital da estatal, incluindo os 2% de ações em mãos de fundos FGTS-Petrobras. "Uma operação como essa seria extremamente grande, mesmo antes da crise da Europa. Agora, certamente haverá diluição", diz o superintendente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec), Edison Garcia. A expectativa é que a oferta tenha forte presença de instituições ligadas ao governo e investidores estrangeiros. Ou seja: a Petrobras sairá da capitalização mais estatal, como quer o governo. A empresa forçou o processo de capitalização alegando que não teria condições de investir no pré-sal sem comprometer a estrutura financeira, hoje sufocada por dívidas acima de R$ 100 bilhões. O valor final da capitalização vai depender de definições, como o valor do novo plano de investimentos da estatal, de US$ 200 bilhões a US$$ 220 bilhões, e dos 5 bilhões de barris cedidos pela União. Bem recebida. A aprovação do projeto foi bem recebida pelo mercado financeiro, embora não tenha provocado grandes oscilações nas ações da estatal - que subiram 1,13% (ordinárias) e 1,18% (preferenciais), abaixo do índice Bovespa (2,55%). "Nossa principal preocupação era um possível adiamento da votação, aumentando as incertezas que já perduram há alguns meses. O fato de que o projeto foi votado é positivo", diz o analista Emerson Leite, do Credit Suisse, em seu relatório. O documento enviado pela Petrobras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prevê aumento de capital da empresa no limite de R$ 150 bilhões (hoje, US$ 81 bilhões). Apesar da crise externa, o momento não é considerado ruim para a operação. "Estamos longe dos tumultos da crise financeira de 2008 e já há certa estabilidade, após a turbulência inesperada da Grécia, em maio", diz Eduardo Roche, economista-chefe do Modal Asset Management. Na própria Petrobras, o momento é tido como ponto a favor, já que há investidores estrangeiros à espera de aplicações de retorno mais seguro. Nos Estados Unidos, por exemplo, o volume de depósitos não obrigatórios com o Fed, que estava quase zerado até a crise de 2008, já supera US$ 1 trilhão. Dinheiro aplicado com baixa remuneração, à espera de boas oportunidades.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.