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O Brasil terá uma safra recorde de milho em 2008 e uma expansão de 22% na plantação de trigo. A previsão é do Fundo para Agricultura e Alimentação (FAO), da Organização das Nações Unidas (ONU), que publicou hoje um relatório sobre a produção mundial de cereais em 2008 e 2009.

A entidade prevê para o Brasil boas condições climáticas e produtores sendo incentivados pelas altas nos preços internacionais.

Segundo a entidade, as importações de grãos no Brasil devem cair em 2008, diante da maior produção local. Mas, para 2009, a redução dos preços internacionais de algumas matérias-primas (commodities) pode gerar uma queda nas exportações do País.

América do Sul

Já os argentinos não podem ainda contar com previsões claras de produção diante da seca. A alta nos preços de energia e de fertilizantes também afetou a safra no país vizinho. A safra de milho na Argentina, por exemplo, será 1 milhão de toneladas menor este ano que em 2007.

Segundo a FAO, os altos preços incentivaram a produção de arroz na América do Sul e o setor prevê uma sara recorde. A produção de cereais também atingirá um recorde na região, com 99,5 milhões de toneladas, 5,8 milhões acima da taxa de 2007.

Mundo

Apesar de a produção mundial de cereais em 2008 atingir volumes recordes, a FAO acredita que o mercado continuará em uma situação crítica, o que não será suficiente para gerar uma queda nos preços dos alimentos.

Em outro estudo, a ONU estima que os países em desenvolvimento precisarão de 25 bilhões de euros para reconstruir seus setores agrícolas e ter a capacidade de alimentar suas próprias populações.

Em relatório, a FAO aponta para um crescimento de 2,8% na produção de cereais em 2008, o que contribuiria para evitar a continuação da alta nos preços. No total, o mundo produzirá 2,18 bilhões de toneladas de cereais.

A produção sofrerá uma expansão em praticamente todas as regiões. Mas diante das chuvas nos EStados Unidos, a produção ficará abaixo do que se previa. Os norte-americanos são os maiores produtores e exportadores de cereais. Como resultado, os estoques vão aumentar apenas marginalmente, depois de atingir a pior marca em 30 anos.

Já os preços do milho continuarão altos. O trigo continua com preços 40% acima das taxas de 2007. O preço do arroz sofreu uma leve queda nas últimas semanas, mas continuam três vezes maior que há um ano.

Nos países mais pobres, o aumento de produção será de apenas 1,2% em 2008, insuficiente para solucionar a crise de alimentos. Alguns países africanos ainda sofrem para conseguir manter os mesmos níveis de produção de 2007. No total, 34 países continuam dependentes da ajuda da ONU para alimentar suas populações.

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