O fantasma da liquidação judicial rondava o banco americano Lehman Brothers neste domingo, depois que o banco britânico Barclays, mais forte candidato a adquirir a instituição, se retirou das negociações pouco antes do prazo fixado pelas autoridades americanas.

Neste domingo, uma fonte em Londres próxima ao assunto, que pediu o anonimato, confirmou informações de que o Barclays havia desistido das negociações para comprar o Lehman Brothers, que está à beira da bancarrota. Segundo esta fonte, o Barclays teme ser obrigado a honrar os compromissos comerciais do Lehman entre o presente momento e a assinatura do acordo.

Entretanto, o jornal americano The New York Times publicou neste domingo uma matéria afirmando que o Barclays havia chegado à conclusão de que ficar com o Lehman seria impossível sem a ajuda do governo, que atuou diretamente em março deste ano na aquisição do falido Bear Stearns pelo JP Morgan Chase.

A imprensa americana considerava o Barclays - que no passado já havia manifestado interesse no Lehman Brothers em mais de uma ocasião - o mais forte candidato a assumir a instituição, comparado ao Bank of America e ao HSBC.

O WSJ, contudo, estima que o anúncio da retirada do Barclays pode ter sido apenas um movimento estratégico, e não exclui sua volta à mesa de negociações.

Depois de ter aberto a carteira para ajudar o Bear Stearns e os organismos de refinanciamento hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, estão determinados a não invertir para salvar o Lehman, argumentando que essa tarefa cabe aos outros grandes bancos do mercado.

E a verdade é que, se o Lehman for liquidado, o efeito dominó não tardaria a ser sentido, reverberado pela crise dos créditos imobiliários que começou em 2007.

As especulações se intensificaram neste sentido nos últimos dias, tendo como alvo principalmente outros pesos pesados do mercado financeiro, como Merrill Lynch, AIG e Washington Mutual.

Se um comprador de último minuto não aparecer, o mais provável é que o Lehman Brothers seja liquidado judicialmente já nas próximas horas, o que representaria uma das maiores quebras da história bancária recente dos Estados Unidos.

Para efeito de comparação, a maior quebra de um banco americano até hoje - o Continental Illinois, em 1984 - colocou em jogo 40 bilhões de dólares em ativos. No final de maio, o Lehman ainda contava com 639 bilhões de dólares, montante 16 vezes maior.

Uma liquidação brutal do Lehman Brothers pode ter conseqüência incalculáveis sobre o mercado financeiro a nível mundial, já que as atividades dos bancos são estreitamente ligadas.

Uma das opções consideradas no momento é um compromisso dos grandes bancos nova-iorquinos de manter um fluxo de negócios regular com o Lehman Brothers, com o onjetivo de dar tempo suficiente à instituição para liquidar seus ativos sem supervisão judicial, explicou o NYT.

fga/ap

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