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Famílias de vítimas da TAM entregam projeto de memorial

As famílias das vítimas do acidente com o A320 da TAM entregaram à Prefeitura de São Paulo o projeto de um memorial, elaborado pelo arquiteto Ruy Ohtake, em homenagem aos 199 mortos no maior desastre da história da aviação brasileira. O Memorial 17 de Julho, como foi batizado, é mais ambicioso do que a Praça dos Ipês Amarelos, proposta apresentada pela Prefeitura em setembro do ano passado, sem aval dos parentes.

Agência Estado |

Esse novo desenho, obtido com exclusividade pela reportagem do Jornal da Tarde, está sob análise da Secretaria Municipal de Governo. A secretária-adjunta da pasta, Stela Goldenstein, diz que não há definição sobre o assunto, mas adianta que a intenção é conciliar o interesse das famílias às demandas sociais e resolver a situação rapidamente.

O desenho de Ohtake prevê um marco, materializado por meio de uma grande rosa estilizada, e a construção de um prédio multiuso, com térreo e dois subsolos. A obra abrigaria, distribuídos pelos três pavimentos, um auditório, um espaço destinado a oficinas artísticas, um estacionamento e um ponto para que passageiros do Aeroporto de Congonhas façam check-in. O arquiteto doou o projeto às famílias.

Os nomes das vítimas do desastre aéreo ficariam gravados no hall de entrada, numa estrutura metálica revestida com aço carbono, mesmo material que comporia a flor projetada no anexo do prédio. A árvore remanescente do desastre seria preservada. O projeto está orçado em R$ 6 milhões.

Como a Prefeitura já havia adiantado a necessidade de um equipamento que atenda às demandas sociais, mas não fosse caro ou dispendioso para a administração municipal, a Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo TAM JJ 3054 (Afavitam) projetou um memorial com equipamentos que poderiam viabilizar a captação de recursos com a iniciativa privada, via lei de incentivo fiscal.

Especialistas ouvidos pela reportagem se dividiram - alguns acreditam que o auditório viabilizaria o apoio da iniciativa privada, enquanto outros acreditam que o projeto só tem valor histórico e não conseguiria apoio da Lei Rouanet.

"É um projeto que será auto-sustentável", defende Sérgio Palmieri, da Afavitam. "Estamos em busca de patrocinadores, de forma direta ou por meio da Lei Rouanet.

É um projeto sociocultural que vai ser útil à comunidade", diz. Como outros familiares, ele fez da construção do memorial um objetivo de vida - o administrador de empresas aposentado perdeu o único filho no acidente, o advogado Marcello Rodrigues Palmieri, de 38 anos. "Um familiar que mora no Sul está de mudança para São Paulo e já avisou que também quer participar dessa construção."

A secretária-adjunta de Governo observa, porém, que ainda há "escolhas a serem feitas". "Eles propõem um auditório e um estacionamento e a proposta que existia originalmente era só de uma praça. Esse é um tipo de escolha. Outra escolha vai levar a pensar o tipo de instituição que cuidará do auditório e do estacionamento. Tendo serviços desse tipo, você precisa ter um responsável. Não está claro isso ainda." Outra dificuldade, a falta de vagas para parar nas imediações, pode ter sido contornada com a construção de uma nova área de estacionamento ao lado de Congonhas.

Proprietária do terreno na data do acidente, a TAM doou a área à Prefeitura. O que restava do esqueleto do prédio da empresa aérea foi implodido em 5 de agosto de 2007, juntamente com três casas e um posto de gasolina, todos em processo de desapropriação. "A desapropriação do posto de gasolina é a que está mais adiantada, mas tem todo um trâmite judicial e cartorial que precisa ser cumprido", observa Stela Goldenstein.

Desde aquela época, o número 7.305 da Avenida Washington Luís, no Campo Belo, zona sul, virou um terreno vazio com mais de 8 mil metros quadrados, onde segue viva uma árvore remanescente da antiga construção. Em julho passado, ao completar um ano da tragédia, foi hasteada a Bandeira do Brasil, retirada em agosto após o furto dos holofotes que a iluminavam.

Das 199 vítimas que devem ter seus nomes gravados no memorial quatro não foram reconhecidas: a aeromoça Michelle Leite, de 26 anos, e os passageiros Levi Ponce de Leon, de 1 ano e 8 meses, Ivalino Bonato, de 54, e Andrei de Mello, de 42. Os funerais tiveram só missa ou enterro simbólico.

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