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Faltam pneus e caminhões para transportadoras

Foram necessários cinco meses para a transportadora Asa Express conseguir receber o primeiro lote de pneus encomendado em janeiro

AE |

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Foram necessários cinco meses para a transportadora Asa Express conseguir receber o primeiro lote de pneus encomendado em janeiro. O volume não era suficiente para equipar os caminhões encostados durante todo esse tempo, mas foi o que estava disponível no mercado local. Na semana passada, mais um carregamento chegou. E, novamente, não foi suficiente para atender a demanda. A transportadora continua com uma carreta parada por falta de pneus e teve de contratar terceiros para não perder contratos. "Compramos o que tinha disponível e com um custo 30% maior. Esta semana, o ágio já está em 40%", lamenta Richard Faustino, diretor executivo da Asa Express. Segundo ele, há falta até no mercado de pneus recapeados. A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) nega que haja problema e diz que a produção aumentou 58% este ano. Com a retomada da economia doméstica no primeiro semestre - apesar do arrefecimento no segundo trimestre -, casos como o da Asa Express se tornaram comuns no setor rodoviário, que já vive um apagão logístico. Responsáveis por 60% de toda carga movimentada no País, as transportadoras chegaram ao extremo de não ter frota suficiente para atender toda a demanda. Problema semelhante já havia ocorrido em 2008, antes de explodir a crise financeira mundial. No ano passado, a situação foi maquiada pelo recuo da demanda. Hoje algumas empresas recusam clientes por falta de capacidade de atendimento e escolhem aqueles mais rentáveis. O problema é agravado pela fragilidade dos portos brasileiros. Com a dificuldade no embarque e desembarque de mercadorias, os caminhões se tornam armazéns ambulantes à beira do cais. "Não tem produtividade. Eles ficam 12, 14 e até 20 horas esperando para descarregar", afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Marcelo Marques da Rocha. Ele comenta que um caminhão que poderia fazer três ou quatro viagens, não consegue fazer nem uma. Além do aumento das exportações de açúcar, desta vez são as importações que estão trazendo à tona o gargalo dos portos. Levantamento da Datamar com o Centro Nacional de Navegação (Centronave) mostra que as importações, transportadas por porta-contêineres, cresceram 75% entre janeiro e maio. Não bastasse a forte movimentação, a burocracia do porto também reduz a produtividade das empresas. O gestor comercial da Expresso Mirassol, Luiz Carlos de Faria Júnior, reclama da demora na retirada e entrega de contêineres vazios. "Normalmente, retiro o contêiner cheio, entrego para o cliente e depois tenho de devolver. Mas eles só fazem a recepção até às seis horas. Se não chego neste horário, só no dia seguinte." Segundo ele, isso reduz o número de caminhões disponíveis. "Antes trabalhávamos com 50% de frota própria e 50% de autônomos. Eles desapareceram com a demanda forte. Tive aumentar a participação da minha frota para 70%". Em relação à falta de pneus, Júnior diz que tem recebido menos que o solicitado. "Pedi 100 e recebi 10". O sócio-diretor da Rapidão 900, André Ferreira, também tem sofrido indiretamente com a escassez do produto. Ele não consegue receber o caminhão comprado por falta do pneu. "Paguei por uma marca e querem que eu aceite outra."

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