Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Falta sentido de urgência ao governo

O presidente reconheceu, nesta semana, que foram insuficientes as medidas adotadas até agora para enfrentar a crise. É preciso mais.

Agência Estado |

E mais ousadia, pediu aos ministros.Lula tem razão, mas apenas ousadia não resolve. Deve exigir, não pedir, mais urgência na apresentação de medidas concretas. Afinal, elas não estão sendo estudadas há meses? A indústria recua, o desemprego aumenta, e voltamos a ter déficit na balança comercial. O que estão esperando? Será que ainda não viram que estamos importando recessão?

URGÊNCIA É VITAL

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner afirmou na terça-feira que uma situação como a atual exige rapidez nas soluções. Esse é um dos segredos do êxito possível, pois a recessão se agrava dia a dia. Velocidade que não estamos vendo no Brasil, nos últimos dois meses, o que certamente tornará mais difícil evitar a recessão que se aproxima.

Tudo isso pode ser evitado, ou pelo menos atenuado, se o governo e o Banco Central intensificarem, rapidamente, a política monetária e fiscal iniciada há alguns meses.Ela começou bem quando a crise se confirmou, mas parou. Ainda não sei por quê.

Hoje, não há ainda sinais de que o impacto externo sobre a economia esteja diminuindo. Ao contrario, tudo lá piora dia a dia e está se refletindo sobre nós. Estamos importando recessão. Não há ainda sinais de que o impacto externo sobre a economia esteja diminuindo. Ao contrário, tudo lá piora. Estamos importando recessão.

Ninguém nega que o governo foi rápido em agir - a coluna foi a primeira e registrar e enaltecer -, mas está cada vez mais evidente que foi pouco. Quem admite é o próprio, na reunião do ministério e em declarações na terça-feira. É publico. Estão aí, nos jornais. O governo tem que admitir que a situação é muito, muito séria e se agrava rapidamente no mundo e no Brasil. Os indicadores econômicos estão aí, cada vez piores. Queda da produção, do consumo, do emprego, do comércio exterior...

ESTAMOS MELHORES... ORA!

E não adianta Lula e Mantega dizerem que estamos melhores que os outros. Isso pode consolar aos que querem se enganar, mas não ajuda muito. A verdade é que a nossa economia está encolhendo, como revelam os dados oficiais da indústria,do emprego, do agronegócio... Ora bolas, que "melhor" é esse? Podemos estar sofrendo menos por enquanto, mas já ficou provado que esta recessão avança com uma rapidez fulminante, principalmente por causa da globalização. Já se disse que é a primeira "recessão global". Como não há experiência passada, ninguém sabe como vai evoluir. E muito menos nós, que nunca enfrentamos isso antes.

RETRAÇÃO, DESACELERAÇÃO...

E não adianta o presidente falar em "retração", e evitar a palavra "recessão", como faz agora. É a mesma coisa. Os efeitos danosos são os mesmos. O PIB recua, e não precisa ser por dois meses consecutivos, como ficou convencionado; o desemprego aumenta e começa a minar a economia com todos os demais sinais de recessão. Ainda estão crescendo porque estávamos num nível alto, quase 6%, isso é para comemorar. Se nada for feito com urgência, é o inicio de um processo idêntico ao que está ocorrendo no mundo sem ideia do que poderá acontecer.

ESTAMOS FAZENDO... NÃO!

Exatamente por isso é preciso agir logo, hoje, agora. A expressão que Lula utilizou ontem - "estamos fazendo" - não deve existir. Retrata uma realidade perigosa. O certo, o necessário, o urgente é "fizemos". Não foi suficiente, como Lula admite? Pois faremos o máximo para debelar um processo traiçoeiro que se autoalimenta e devora.

O Banco Central não pode ficar aí segurando os juros enquanto a economia dá sinais de definhar. Pensar na inflação, agora, é insensatez. Foi o que fez o Banco Central Europeu e aí está a zona do euro afundando na recessão. É esse o risco que o governo e o BC tem de evitar a qualquer custo.

Entrar em recessão é fácil, mas sair dela é mais difícil.

REPETIR E REPETIR

Eu já andei dizendo isso? Estou cansando? Sei, mas neste momento é importante insistir nisso. Repetir à exaustão que "o governo já fez muito, mas ainda é pouco diante dos resultados obtidos e da rapidez da queda da produção". Os resultados desanimadores estão aí. Ainda é hora de agir. Há espaços enormes para reduzir impostos e juros, fazer as linhas de crédito funcionarem, financiar as exportações, a indústria, o consumo. E, acima de tudo, não "exportar impostos", enquanto os outros exportam "subsídios".

E O GOVERNO?

O presidente mostrou, na reunião ministerial, que está consciente do risco cada vez mais próximo da recessão. Viu a insuficiência do que foi feito. Deu ordens à equipe para fazer mais. Mas não fixou datas, não distribuiu tarefas, não formou uma frente contra a recessão. E, diante da lucidez e boa vontade que vemos no presidente, fica a pergunta: será que suas ordens estão sendo cumpridas em tempo?
A coluna duvida, mas cabe ao presidente responder, comandar e agir. Mas, por favor, presidente, não deixe seus ministros argumentarem que "o Brasil está em situação melhor do que os outros". Isso não ajuda nada. Nem um pouco.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG