Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Falta de emprego assusta estudantes chineses

Oakley Qiao tinha todos os motivos para se sentir confiante ao começar sua procura por um emprego em setembro do ano passado. Afinal, estudou numa das mais conceituadas escolas de administração da China.

Agência Estado |

Tinha cinco anos de experiência de trabalho. Estudantes que se candidataram a um emprego na mesma época do ano anterior receberam duas ou três ofertas de trabalho, algumas com um salário inicial vinte vezes a remuneração média anual paga na China.

Mas, na semana passada, Qiao saiu de mãos vazias do campus da universidade de Pequim, para pegar um trem para sua cidade natal. E muitos dos seus 100 colegas saíram na mesma situação, apesar de a universidade convidar pessoas especializadas no recrutamento de pessoal semanalmente para o campus. Qiao disse ter entregue seu currículo para mais de 50 empresas. "Todo mundo está nervoso", disse ele, sentado no bar do campus. "As empresas que se apresentam aparecem só para fazer uma apresentação e não para oferecer uma vaga de trabalho."

Na verdade, uma sensação de ansiedade vem tomando conta de uma geração de chineses que cresceu achando que a prosperidade econômica era uma garantia para eles. A grande explosão de riqueza na classe média urbana, nos últimos 15 anos, começou a desacelerar por causa da crise financeira global, e o mercado de trabalho para chineses formados em cursos superiores, mesmo aqueles diplomados nas mais destacadas universidades do país ou do exterior, vem se contraindo.

Na China, o desaquecimento da economia atingiu primeiro o setor exportador, com fábricas fechando e pondo trabalhadores migrantes na rua há meses. Agora, são as empresas de colarinho branco que começam a demitir, cortar salários e as bonificações de fim de ano, tão valorizadas pelos empregados.

O Lenovo Group, quarto maior fabricante de computadores do mundo, informou que vai demitir 11% do total dos seus funcionários em todo o mundo, e reduzir drasticamente a remuneração dos seus executivos. A China Eastern Airlines, estatal que recebeu US$ 1 bilhão de ajuda do governo, anunciou que alguns diretores terão seu salário mensal reduzido em até 30%.

A situação ficou tão preocupante que alguns estudantes da universidade de Pequim, uma das mais respeitadas do país, estão até pensando em se alistar no exército ou se tornar açougueiros. (Um conhecido aluno recentemente fez fortuna abrindo um açougue de carne de porco). No ano passado, 10 mil estudantes de faculdade se alistaram no exército, número bem maior que o de anos anteriores, segundo o jornal oficial do Exército de Libertação Popular.

O nível de ansiedade do Partido Comunista, cuja legitimidade depende da manutenção do crescimento econômico, aumenta no mesmo ritmo que o dos trabalhadores frustrados e os que buscam emprego. Na semana passada, numa reunião do gabinete, o primeiro ministro Wen Jiabao admitiu que "a situação do emprego este ano é muito grave". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG