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Falta de crédito deve piorar em breve, alerta OMC

GENEBRA - A falta de financiamento para o comércio internacional chega a US$ 25 bilhões e a situação deve se deteriorar nos próximos meses, podendo desacelerar ainda mais as exportações. Foi esse o alerta do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, após uma reunião com bancos privados, bancos de desenvolvimento e regionais e instituições internacionais, como FMI e Banco Mundial, para examinar a crise de crédito nas trocas globais.

Valor Online |

" O mundo está passando por uma das mais severas crises financeiras da história, com seu epicentro nos EUA e efeitos no resto do mundo " , disse Lamy. " A correção dos valores de ativos é tão forte que tem implicações sistêmicas na solidez e segurança de todo o sistema financeiro internacional " , acrescentou.

O vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Armando Mariante, disse que o crédito ao comércio exterior caiu, em média, 20% no mês passado no Brasil em relação ao resto do ano, e os custos aumentaram entre 100 e 150 pontos para os exportadores. Economistas estimam que o corte este ano no comércio internacional será de dois pontos percentuais, e no ano que vem será ainda pior, se a situação atual persistir.

Para Lamy, a crise financeira é um alerta de que a economia não pode crescer acima dos limites de sua produção real e que alimentá-la por meio de dívida e liquidez só pode provocar " correções severas " . O diretor da OMC considera a situação atual ainda mais difícil, porque o financiamento comercial é uma das formas mais seguras da atividade bancária e de seguros, e com forte efeito multiplicador sobre as trocas internacionais.

Os participantes da reunião confirmaram que o mercado para financiamento comercial se deteriorou fortemente nos últimos seis meses, particularmente em setembro, por causa da falta de liquidez, da reavaliação geral de risco causada pela crise financeira e também pela desaceleração da economia.

Lamy chamou governos e bancos centrais a agirem rapidamente para evitar um desastre maior. Deu como bom exemplo o Banco Mundial, que tenta triplicar para US$ 3 bilhões os financiamentos comerciais. Também agências oficiais de exportação e importação aumentaram em mais de 30% seus negócios em um ano, basicamente com estímulo dos governos da Alemanha, Hong Kong e Japão.

" Quando o comércio e o crescimento econômico desaceleram, investir recursos para manter o fluxo financeiro para o comércio é vital " , acrescentou. " A economia mundial está em desaceleração e o comércio está diminuindo. Se o problema do financiamento não for resolvido, será exacerbada essa espiral para baixo. Simplesmente não podemos dizer que a globalização está beneficiando economias emergentes quando a demanda dos países ricos se expande, e que não haverá efeito quando a demanda cai. Haverá riscos, perda de emprego, falências. "
O diretor da OMC presidiu uma reunião com os chefes de delegações dos 150 países membros, de onde saíram duas mensagens. Primeiro, sobre a importância de manter os mercados abertos. E a segunda, de se tentar concluir rapidamente a Rodada Doha.

O BNDES foi o único banco nacional de desenvolvimento presente à reunião, que será repetida em abril. Mariante disse que o ponto crucial da crise agora diz respeito ao financiamento do comércio internacional. " O comércio é muito mais dependente de créditos de curto prazo do que se poderia supor. E isso desapareceu, sofreu uma redução muito drástica. "
(Assis Moreira | Valor Econômico)

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