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Falta de crédito dá poder ao consumidor que tem dinheiro no bolso na hora da compra

SÃO PAULO ¿ A retração do crédito foi um dos principais efeitos da crise financeira mundial sentidos na economia brasileira. Está mais difícil conseguir empréstimos junto aos bancos e financiadoras. A resposta do comércio para as ¿torneiras fechadas¿ do crédito tem sido uma série de liquidações e facilidades para quem pode pagar à vista ou dar entradas generosas.

Marina Morena Costa, do Último Segundo |

Uma Palio weekend 2004, que há dois meses custava R$ 33,9 mil, hoje pode ser comprada por R$ 29,9 mil, afirma Mauro Santos, vendedor e sócio de três lojas revendedoras de carros usados em São Paulo. Santos afirma que o desconto, para quem tem dinheiro no bolso, pode variar entre R$ 3 e R$ 5 mil.

O mercado imobiliário também tem atacado com promoções e descontos para pagamentos à vista. A construtora Agra e a incorporadora Abyara criaram a promoção Supertudo para liquidar imóveis. Os descontos variam entre 5% e 15% do valor total do imóvel ¿ ou seja, um apartamento de quatro dormitórios com o preço total de R$ 395,5 mil, por exemplo, pode ser negociado por R$ 369,2 (considerando o desconto de 15%).

A construtora e incorporadora Even lançou uma campanha em São Paulo e São Bernardo do Campo. Os descontos ultrapassam 20% sobre total à vista do imóvel. Um apartamento de quatro dormitórios localizado no Butantã sai de R$ 470,5 mil por R$ 345 mil, à vista (desconto de 26,7%).

Liquidações e promoções visam os consumidores com poupança e o 13º salário em mãos, explica João Crestana, presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi). Como o crédito para o giro da construtora está mais difícil, as empresas privilegiam receber algum dinheiro à vista agora. Essas promoções tomam vantagem exatamente deste dinheiro do 13º e liberam as empresas dos financiamentos para produção, analisa o presidente do sindicato.

Dinheiro no bolso

Josiane Ribeiro Hara, de 25 anos, trabalha como vendedora em uma livraria e sonha em comprar o primeiro carro. Como pretende pagar à vista, irá esperar mais um pouco. Tenho mais de 50% do valor do carro que eu quero guardado na poupança. Não gosto de ter muitas parcelas para pagar e sei que conseguirei um bom desconto comprando à vista, afirma.

Se depender da vontade dos vendedores de carros usados, consumidores como Josiane conseguem fechar negócio, pagando bem menos. Quem tem dinheiro para pagar à vista está com o poder nas mãos, afirma Santos, sócio da rede de lojas Auto M. A palavra é negociar, completa.

Para Crestana, o momento é vantajoso para adquirir imóveis à vista ou dar uma boa entrada. Se você tem dinheiro em mãos, conseguirá negociar com a construtora. Mas não compre por impulso. Esta é uma decisão que exige bastante pesquisa e ponderação, avisa.

Crise mundial

De acordo com Crestana, a crise econômica mundial não atingiu as vendas do mercado imobiliário de 2008, mas afetou os projetos para o ano que vem. As empresas estão diminuindo o número de lançamentos para 2009. O foco será em empreendimentos de maior rentabilidade e menor risco. Principalmente para famílias de menor renda ¿ este é o grande mercado ¿, que têm como garantia o crédito da poupança e do fundo de garantia, afirma.

Já no setor automobilístico, os impactos foram sentidos principalmente no mês de outubro. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registrou queda de 11% no total de vendas e licenciamentos de carros em outubro, 239,2 mil, em relação ao mês anterior, 268,7 mil. Em comparação com outubro de 2007, a queda foi de 2%.

Em São Paulo, a venda de carros usados caiu 13,65% em outubro na comparação com o mês anterior, segundo o levantamento da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp). A parcela de vendas financiadas caiu de 82% do total em setembro para 49% em outubro e recuou também o prazo do financiamento, de 48 meses para 45 meses na mesma base de comparação.

Santos avalia que outubro foi um mês sombrio para as vendas de carros usados. Agora, estamos vendo sinais de melhora. Já consigo financiamentos com taxa de juros a 1,85% ao mês ¿ mesmo patamar anterior à crise. Porém, os bancos não liberam crédito sem entrada, e o mínimo que exigem é 20% do valor, afirma o vendedor.

(*com informações da Agência Estado)

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