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Fala, internauta! Por que o governo editou uma MP para estatizar bancos?

A crise financeira norte-americana tem gerado preocupações e dúvidas. O iG preparou um material que responde parte das questões que vem sendo feita e abre espaço para que o internauta envie a sua pergunta. Qual a sua dúvida sobre a crise financeira?

Redação |

 

O jornalista e colunista do iG José Paulo Kupfer (leia o blog aqui) vai ajudar os internautas a resolverem suas dúvidas sobre essa turbulência na economia.

Veja as respostas abaixo e envie a sua dúvida para falainternauta@ig.com.br. Ela será respondida por Kupfer e publicada no Último Segundo.

Fala, internauta! O governo editou uma medida provisória para permitir a compra de ativos de bancos privados pelos bancos estatais, e diz que é para evitar que haja falta de crédito. Mas essa medida não acaba trazendo mais tensão aos mercados? Qual é a real intenção do governo e qual é a real situação do mercado bancário?

José Paulo Kupfer - A primeira reação que a MP 443 - a que saiu hoje, permitindo a estatização de bancos privados ¿ causou foi lançar no mercado uma indagação sobre a sua oportunidade. O governo deveria anunciar uma medida com esse teor sem que exista algum caso concreto? A resposta quase consensual é que, apesar dos possíveis efeitos colaterais negativos, como o de produzir o que se chama "profecia autorealizadora", o governo agiu corretamente. A velocidade do processo que leva à quebra de uma instituição financeira atropela as providências legais e, portanto, recomenda que a medida seja mesmo preventiva.

Esta MP visa evitar a quebra de pequenos bancos. Há também um consenso no mercado de que os bancos grandes não estão enfrentando qualquer problema, nem há sinal de que possam vir a enfrentar.

O que o governo quer é evitar que a notícia de alguma quebra, evitando, portanto, explicações incômodas sobre o que se passa na economia, promessas de que não vai haver contaminação nos bancos maiores etc. O que o governo quer é evitar a conversa sobre quebras.

Mas, de fato, bancos menores podem estar tendo problemas. Estes são os mesmos bancos que estão tendo de vender seus ativos, suas carteiras de crédito, para os bancos maiores privados.

Qualquer instituição financeira vive de captar recursos no mercado e emprestar a terceiros. Na hora em que a instituição tem dificuldades em captar, ela fica com dificuldades pra fazer girar o seu negócio e para pagar suas obrigações. É o que pode estar acontecendo com os bancos menores.

Com os temores lançados pela crise, os clientes estão migrando dos bancos pequenos para os maiores. Os bancos menores ficam sem os recursos dos depositantes, sua primeira fonte de dinheiro. Outra fonte são os papéis que eles lançam no mercado, como é o caso dos CDBs. Mas, com a desconfiança, os bancos têm de pagar cada vez mais para colocar seus títulos porque os aplicadores não querem correr o risco de não receber o rendimento no futuro. Mesmo pagando mais, no fim da linha, não encontram investidores e ficam sem uma segunda fonte de recursos. Além disso, durante o período da fartura no mercado internacional uma grande fonte de captação de recursos eram os créditos externos. E isso já era.

As três fontes de crédito secaram, e os bancos estão tentando vender seus ativos para se manter no mercado. Mas pode ser que eles não agüentem. No momento em que secam todas as fontes e os bancos pequenos saem vendendo seus ativos, os preços desses ativos f icam aviltados, porque precisam vender a qualquer custo e rápido. A seqüência do processo é a descapitalização. Se essa descapitalização não for contida, o banco quebra. É para evitar que se chegue a esse ponto que o governo editou essa MP. Há uma quase unanimidade no mercado em considerar que não há problema com os maiores bancos comerciais do mercado. O problema está em bancos menores, que cresceram rapidamente com a facilidade de captar créditos externos e com a possibilidade de operar em segmentos securitizáveis, como o crédito consignado. Bancos desse subsegmento são os que provavelmente têm no momento problemas de "funding". Há um outro tipo de banco que fica um pouco na linha de fogo, que são os que operam no chamado "middle market" - pequenas e médias empresas. Eles também têm problemas parecidos e podem estar com problemas de "funding". Dos bancos de investimento, que não têm agências nem deposita antes, também há dois tipos: o que faz operações estruturadas mas não é caracterizado por operações de crédito e os que são especializados em crédito para empresas. Estes últimos são mais afetados em momentos como o atual.

A conclusão é que, de fato, a decisão do governo é uma medida preventiva. É possível que esse socorro tenha de ser usado em pequenos bancos e é importante que seja antes de uma quebra. Essa medida deixa tudo mais organizado, apesar do efeito colateral de dar uma chacoalhada no mercado e fazer uma profecia autorealizadora. Não dá para esperar a quebra dos bancos para depois tomar medidas.

Até já se há quem encontre um efeito colateral positivo na MP 443: o fato de permitir que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal possam adquirir ativos pode fazer com que os bancos privados se mexam e corram para não ficar para trás, disputando os bancos menores em dificuldade com mais apetite.

 

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