A crise financeira norte-americana tem gerado preocupações e dúvidas. O iG preparou um material que responde parte das questões que vem sendo feita e abre espaço para que o internauta envie a sua pergunta. Qual a sua dúvida sobre a crise financeira?

O jornalista e colunista do iG José Paulo Kupfer ( leia o blog aqui ) vai ajudar os internautas a resolverem suas dúvidas sobre essa turbulência na economia. Nesta segunda-feira, Kupfer respondeu, entre outros internautas, German Bobadilla, que quis saber como funcionam as operações de hedge cambial, e Antonio Neto, que questina os efeitos da crise no crédito consignado.

Veja as respostas abaixo e envie a sua dúvida para falainternauta@ig.com.br . Ela será respondida por Kupfer e publicada no Último Segundo.

Fala, internauta! Todo mundo está só falando dos problemas de aplicações em ações na bolsa, mas gostaria de saber quem tem aplicação em fundos de investimentos DI, CDB, poupança, etc. Vai haver perdas também? Qual o valor máximo de depósitos em caderneta de poupança que o governo brasileiro garante para cada depositário? (pergunta enviada por Luís Guerreiro, Raimundo Bessa, Viviane Godoi, Adriano Ribeiro, Sueli, Paulo Souza, Elias De Mori, Valter Pavanelli, Charles Gomes)

José Paulo Kupfer - A poupança e os CDBs (títulos emitidos pelos bancos), são garantidos até R$ 60 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC é uma entidade privada mantida pelas próprias instituições financeiras à qual todas elas são obrigadas a se associar. Além dos R$ 60 mil não há garantia de que o dinheiro ficará intacto, no caso de quebra da instituição. Por isso, é muito importante avaliar bem a instituição à qual o investidor confiará suas economias. Mas a situação de solvência dos bancos brasileiros não preocupa. A hipótese de que haja problemas com aplicações e com o dinheiro nos bancos é mais do que remota.

É bom aproveitar para dizer que os fundos de renda fixa, embora mais conservadores, também têm cotas variáveis, que variam conforme o valor dos títulos em que aplicam. Apesar do nome renda fixa, as cotas desses fundos podem valer mais hoje e menos amanhã, e vice-versa. Os fundos de renda fixa, como o nome diz, são formados por aplicações em papéis de renda definida, especialmente os títulos do Tesouro Nacional. Os fundos de renda fixa (fundos RF), investem, basicamente, em papéis com rendimento pré-fixado e os fundos DI, em papéis pós-fixados. Também se pode dizer que os fundos de renda fixa, embora não vinculados ao FGC, têm algum tipo de garantia. Se o fundo estiver sustentado em ativos garantidos (o que é a boa prática), na eventual quebra do gestor, a lei permite que os investimentos sejam transferidos para outro gestor.

Fala, internauta! Corremos o risco de nosso dinheiro que está em poupança, aplicações e etc, ser confiscado pelos bancos? (pergunta enviada por Eliete de Souza, Elisa Rezende, Carlos Gomes, Marcos Vinícius Teixeira, Leandro Pereira)

José Paulo Kupfer - Muito diferente de falar em perdas é falar em confisco. Confisco é uma ação do governo, aprisionando recursos privados por alguma razão ¿ vide Plano Collor (1990). Mas no momento não há nada no horizonte que possa indicar qualquer possibilidade de confisco.

Fala, internauta! A Aracruz relatou prejuízos com operações de hedge cambial, e li recentemente que esta se tornou uma prática comum entre as empresas e é muito provável que outras venham a relatar o mesmo tipo de prejuízo. Como funciona esta operação? Para que é utilizada? (pergunta enviada por German Bobadilla)

José Paulo Kupfer - Realmente, o próprio governo estima que cerca de 200 empresas tenham feito operações desta natureza. Há uma estimativa de que as perdas ultrapassem US$ 30 bilhões ¿ um prejuízo assombroso. Embora fossem algumas as modalidades, a operação se resumia no seguinte: a empresa contratava com um banco um empréstimo pelo qual pagaria uma porcentagem da taxa interbancária, ou seja, a taxas de juros favoráveis, se o dólar não superasse um determinada cotação ¿ digamos, R$ 1,70. Se, no entanto, a cotação do dólar fosse mais alta, a empresa financiada se obrigava a quitar o empréstimo com base no dólar do dia. A operação é conhecida no mercado como financiamento de dupla indexação. Este produto financeiro foi oferecido a empresas que apostavam na desvalorização do dólar e aceitavam maior risco, caso houvesse valorização do dólar, em troca de ganhos potencialmente maiores. Como o dólar subiu, as perdas foram gigantes. Era uma maneira de conseguir, de um lado, dinheiro mais barato, e de outro, de tentar compensar, especialmente para as empresas exportadoras, as dificuldades competitivas no mercado externo de um dólar muito desvalorizado.

Fala, internauta! Minha dúvida é em relação ao crédito para pessoas físicas, em especial aos consignado em folha de pagamento. Como fica essa modalidade neste momento? Deve haver reflexo significativo em virtude da escassez de crédito no mercado? (pergunta enviada por Antonio Neto)

José Paulo Kupfer - Sim, o crédito consignado não deixa de ser antes de mais nada uma modalidade de crédito. E o crédito está num momento de grande escassez. A tendência, portanto, é o aumento nas taxas de juros, mesmo no consignado, ainda que ela permaneça mais baixa do que em outras modalidades, e também de uma redução nos prazos. As garantias é que não devem mudar muito, porque elas já estão dadas, são os próprios rendimentos dos tomadores de empréstimo ¿ o salário ou o benefício previdenciário (pensão ou aposentadoria).

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