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Ezequiel Nasser e Merrill Lynch duelam na justiça de Nova York

Dois dos personagens mais agressivos do mundo das finanças, o banco americano Merrill Lynch e o ex-banqueiro Ezequiel Nasser, que foi dono do Excel Econômico, estão brigando na Suprema Corte de Nova York. Cinco fundos de investimentos de Nasser, de seu filho Raymond e de seu tio, Albert, cobram US$ 612 milhões da instituição.

Agência Estado |

Numa ação contra a Merrill, eles alegam que foram enganados, induzidos a fazer maus negócios e que perderam dinheiro porque o banco liquidou operações com derivativos sem seu consentimento. A Merrill Lynch diz o contrário. Afirma ter levado um calote dos Nasser e desde abril cobra na Justiça US$ 78 milhões por perdas com operações de alto risco realizadas por eles.

"Eles (Merrill Lynch) liquidaram as aplicações, se apoderaram de todas as garantias sem avisar e pegaram as contas para a carteira deles", disse ao Estado Raymond Nasser, diretor dos fundos que tinham conta na Merrill. Para chegar aos US$ 612 milhões, os fundos pedem US$ 112 milhões por perdas com corretagem, US$ 200 milhões com a liquidação de swaps, além de US$ 300 milhões em indenizações.

"(Os Nasser) não querem pagar a dívida e têm feito os maiores esforços para fugir de suas obrigações", afirmou, em e-mail enviado ao Estado, Mark Herr, vice-presidente de comunicação corporativa da Merrill Lynch, que foi vendida no fim do ano passado para o Bank of America . "Eles se apresentavam como investidores extremamente sofisticados e movimentaram mais de US$ 1 bilhão nos três anos em que foram nossos clientes."

No centro da disputa aparece o Bear Sterns, primeiro grande banco de investimento americano a quebrar com a crise financeira global. Os fundos que os Nasser tinham na Merril Lynch investiam em opções de compra de ações do Bearn Sterns desde meados de 2007. Quando a instituição foi à lona, em março do ano passado, a cotação dos papéis despencou de US$ 60 para US$ 2 em apenas uma semana, gerando um prejuízo que nenhum dos envolvidos diz exatamente quanto foi.

Para cobrir parte das perdas, a Merrill Lynch afirma em seu processo que, após tentativas - sem sucesso - de cobrar o pagamento, foi buscar o dinheiro em outras aplicações dos Nasser no banco. A decisão foi liquidar investimentos em swaps que os fundos da família mantinham na instituição. A medida não teria sido suficiente para bancar o prejuízo. Portanto, em abril, a Merrill Lynch foi à Justiça para cobrar US$ 78 milhões dos Nasser. No processo, afirma que os Nasser "negaram e negligenciaram suas dívidas com a Merrill Lynch apesar dos pedidos feitos". Mais: "com a intenção de esconder, atrasar e enganar a Merrill Lynch, fizeram uma série de transferências de suas aplicações para contas em outros bancos."

Os Nasser também fazem acusações pesadas contra a Merrill Lynch. Primeiro, culpam os profissionais da instituição por negligência.Dizem que investiram nos papéis do Bear Sterns influenciados por avaliações enviesadas feitas pelos analistas da Merrill, que "omitiram informações e fraudaram números". Dizem ainda que a Merrill vendeu os papéis no pior momento, quando o Bear Sterns faliu. "Eles resolveram liquidar as opções quando os papéis estavam a US$ 2. Por que esperaram tanto tempo se poderiam ter liquidado quando as ações estavam cotadas a US$ 60?", afirmou Ezequiel Nasser ao Estado. "

Os fundos dos Nasser também acusam a Merrill Lynch de tê-los prejudicado quando liquidou as operações de swap para cobrir os prejuízos com papéis do Bear Sterns. "Eram as operações mais lucrativas. Rendiam US$ 25 milhões por ano aos fundos", diz Raymond. "Até hoje eles não apresentaram boleto, nenhuma contabilidade convincente para mostrar a contraparte, o valor, nada."
Na tentativa de mostrar à Justiça que a Merrill Lynch teria reconhecido internamente as falhas no caso deles, os Nasser citam a demissão de seis funcionários da Merrill Lynch, dos escritórios de São Paulo e de Nova York, responsáveis pelo monitoramento de suas contas dos fundos. A Merrill não quis se manifestar sobre esse ponto.

O processo dos Nasser cita ainda a demissão de Cláudia Srour, uma espécie de gerente das contas dos fundos dos Nasser na Merrill Lynch, como evidência da suposta má fé da instituição. No processo, dizem que ela foi demitida por ter se "recusado a assinar declarações falsas" para prejudicá-los.

Claudia, agora longe da Merrill, continua próxima aos Nasser. É consultora pessoal de Ezequiel e deve se tornar sócia Raymond num escritório de gestão de recursos, a Analytica, com sede em Nova York. No site do escritório, o nome de Claudia já aparece.

Ezequiel Nasser vive entre São Paulo e Nova York, onde afirma administrar dinheiro pessoal e o de clientes. Membro de uma família tradicional de banqueiros, os Safra, nos anos 70 e 80 Ezequiel Nasser trabalhou para os tios Edmond (já falecido), nos Estados Unidos, e Joseph, no Brasil. Em 1990 abriu seu próprio banco, o Excel, que durante anos esteve entre os três mais rentáveis do país. Mais tarde comprou, com ajuda do governo, os restos do banco Econômico, que estava falido.

Foi a fase em que Nasser, um homem discreto que vivia com medo de sequestro depois de passar mais de dois meses em cativeiro, mais apareceu. Foi brincar o Carnaval em Salvador, onde ficava a sede do Econômico, e passou a patrocinar clubes de futebol populares, como o Corinthians. Mas não conseguiu resgatar a imagem do banco que, mergulhado em dificuldades financeiras, acabou sendo vendido pelo valor simbólico de R$ 1 aos espanhóis do Bilbao Vizcaya,que já saíram do País.

Sumido desde o fim do Econômico, o ex-banqueiro Nasser reaparece agora na disputa com o banco norte-americano.

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