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São Paulo, 23 out (EFE).- O diretor do departamento da América do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolás Eyzaguirre, elogiou hoje a política aplicada na América Latina para superar a crise, que, segundo o organismo, custará à região mais de US$ 150 bilhões.

Eyzaguirre, que nesta sexta-feira participou de um seminário em São Paulo, destacou as medidas adotadas por alguns países da região para enfrentar à crise, como "a redução das taxas de juros, o que ajudou a fortalecer a política monetária".

Os custos da crise figuram no relatório "Panorama Econômico Regional", divulgado hoje pelo FMI, segundo o qual enquanto entre 2003 e 2008 a atividade econômica latino-americana avançou em média 4,7%, o que permitiu reduzir a pobreza, de 2009 a 2014 o crescimento será limitado a 2,7% ao ano em média.

"Diante da recuperação lenta dos países industrializados, as economias emergentes vão crescer mais rapidamente e o desafio é conduzir o forte impulso em uma economia global muito desequilibrada", apontou Eyzaguirre.

América Latina, disse, "caiu menos e se recuperou mais rapidamente que o resto do mundo, o que permitiu superar uma recessão que foi mais forte em outras regiões".

Explicou que a análise exclui o México, cuja economia foi fortemente abalada pela dependência das exportações para os Estados Unidos.

O executivo do FMI advertiu que as medidas de reativação da economia americana podem afetar por seus excessos os países emergentes, como os latino-americanos.

"Os EUA não conseguirão superar a recessão com a demanda interna de consumidores encolhida pela crise, mas com exportações, e como não exportam para Marte e Vênus, vão competir com os mercados asiáticos e a América Latina, potenciais concorrentes", apontou.

Eyzaguirre recomendou que os recursos gerados pelo comércio internacional não tenham como objetivo, exclusivamente, engordar as reservas dos países. Para ele, é importante fazer investimentos em outras áreas, como infraestrutura, para não faltar liquidez aos mercados.

"Se acumulamos reservas, como o Brasil, fomentamos a entrada de capital especulativo e por isso devemos revisar o sistema de regularização financeira", disse em alusão à taxa de 2% que adotada nesta semana para frear a entrada de capital estrangeiro destinado à renda fixa e variável, com o objetivo de moderar a apreciação do real frente ao dólar.

O diretor fez referência aos países púrpura, uma das cores que identificam os grupos segmentados no estudo do FMI e na qual estão Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela.

"Nossa recomendação para esses países é que tenham orientações claras de política macroeconômica em termos monetário, cambial e fiscal. Tomaram medidas pró-cíclicas que, em vez de ajudar, introduziram a economia mais na crise", expressou.

Sobre os países verdes, das América e o Caribe, assinalou que suas economias estão atingidas pelo aumento do desemprego nos Estados Unidos, já que têm nas remessas dos emigrantes uma das principais fontes de receita.

No grupo de países azuis, do qual pertencem Chile, Colômbia, Peru e Brasil, a diferença foi a qualidade da política macroeconômica.

Por outro lado, classificou como muito positivo e um passo inevitável para normalizar o acesso aos mercados a decisão do Governo argentino de acabar a lei cadeado, com o objetivo de reestruturar dívidas em mãos de credores.

"O FMI não tem como objetivo defender os investidores privados, mas vemos como positivo o fim da lei cadeado. Agora a bola está no campo das autoridades argentinas. São elas que têm soberania para decidir sobre isto", especificou. EFE wgm/dm

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