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Exxon descobre petróleo no pré-sal

A gigante americana ExxonMobil confirmou ontem a existência de indícios de petróleo no bloco BM-S-22, única concessão do pré-sal da Bacia de Santos que ainda não tinha descobertas. A empresa não deu detalhes sobre o volume encontrado, mas especialistas veem potencial equivalente ou superior a Tupi, onde a Petrobrás já confirmou de 5 a 8 bilhões de barris.

Agência Estado |

A estatal brasileira é sócia no BM-S-22, com 20% de participação. A americana Amerada Hess tem 40%.

A notícia confirma expectativa do mercado, que já via alto potencial de descobertas no BM-S-22, na porção sul da chamada área do pré-sal em Santos, onde a Petrobrás já fez oito descobertas importantes nos últimos anos. "Eram favas contadas. Todos os poços naquela região encontraram petróleo", diz o geólogo Giuseppe Bacoccoli, professor da UFRJ com grande experiência na Petrobrás.

Segundo a Exxon, o poço batizado de Azulão-1 ainda não atingiu sua profundidade final, que deve chegar a 4,9 mil metros, segundo informe feito à ANP. Em nota oficial, a companhia afirmou ainda que vai iniciar a perfuração de um segundo poço na área, logo após a conclusão do primeiro. Ao fim desse trabalho, dizem especialistas, é possível que haja mais detalhes sobre os volumes.

No mercado, porém, as expectativas são altas. Em relatório divulgado logo após a confirmação do pré-sal, no fim de 2007, o analista do banco Credit Suisse Emerson Leite estimava reservas entre 5 bilhões e 15 bilhões de barris no BM-S-22. A conta foi feita com base nos primeiros dados sísmicos apresentados pelas operadoras. Segundo as projeções de Leite, que encontram eco na opinião de outros especialistas, trata-se da maior jazida entre as áreas já concedidas no pré-sal.

Exxon, Hess e Petrobrás são donas das reservas que estiverem dentro do perímetro do BM-S-22, uma vez que o governo já se comprometeu, por diversas ocasiões, a respeitar os contratos atuais, mesmo que venha a aprovar um novo modelo regulatório para o setor. Assim, se confirmada a expectativa mais otimista, as duas multinacionais terão direito a até 12 bilhões de barris, volume equivalente a todas as reservas de petróleo comprovadas atualmente no Brasil.

Dados preliminares indicam, porém, que parte do reservatório do BM-S-22 se estende para além dos limites do bloco. Nesse caso, as reservas excedentes, quando comprovadas, já serão regidas pelo novo modelo em estudo pela comissão interministerial, que promete entregar um relatório final à Presidência da República ainda este mês. Qualquer análise sobre a extensão das reservas, porém, dependerá de novos trabalhos exploratórios.

Pela legislação atual, a Exxon terá de propor à ANP um plano de avaliação da descoberta de Azulão, que pode levar mais três ou quatro anos para ser concluído. Por isso, o mercado só espera a produção em grande escala no projeto a partir de meados da próxima década. Para o consultor John Forman, ex-ANP, o longo tempo de maturação torna o projeto menos vulnerável à crise econômica atual.

"Eles vão ficar mais uns dois ou três anos avaliando a área. Até lá, o preço do petróleo já voltou a níveis normais", afirmou o especialista. Nas últimas semanas, as cotações têm oscilado entre US$ 35 e US$ 40 por barril, o que, para alguns, poderia inviabilizar o pré-sal. Para o longo prazo, porém, trabalha-se com o petróleo na casa dos US$ 80 por barril. Forman lembra ainda que a Exxon está bastante capitalizada pelos lucros recordes dos últimos anos e tem caixa suficiente para bancar os investimentos exploratórios, que são equivalentes a cerca de 10% do investimento final em um campo de petróleo.

Maior petroleira de capital aberto do mundo, a Exxon terminou 2007 com reservas provadas de 23,04 bilhões de barris de petróleo e gás de um total de recursos disponíveis calculado em 72 bilhões de barris - os números de 2008 ainda não foram divulgados. Trata-se de sua primeira descoberta no Brasil, país incluído entre os Top 30 na área de exploração e produção da companhia.

A Exxon e a Hess juntam-se, portanto, a um seleto grupo de multinacionais parceiras da Petrobrás em descobertas do pré-sal, que já tem a britânica BG, a portuguesa Galp, a anglo-holandesa Shell e a espanhola Repsol. Outras duas companhias, a também americana Anadarko e a sul-coreana SK, têm também uma descoberta no pré-sal brasileiro, sem parceria com a Petrobrás, na Bacia de Campos.

Com 97 anos de atividades no Brasil, a Exxon vendeu, no ano passado suas operações nacionais de distribuição e revenda de combustíveis - nas quais usava a marca Esso - para o grupo sucroalcooleiro Cosan.

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