O nervosismo voltou a dar o tom dos negócios nos mercados hoje, principalmente após o banco de investimentos Lehman Brothers afirmar, ontem, que os bancos internacionais mostrarão perdas importantes em seus balanços no segundo trimestre deste ano. Com isso, os mercados europeus operam em baixa nesta manhã, pressionados pelo setor financeiro, mas os índices futuros das Bolsas de Nova York operam em alta.

Em meio a essa indefinição, o índice Bovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), abriu em baixa e era negociado abaixo dos 59 mil pontos. Por volta das 10h30 (de Brasília), o Ibovespa caía 0,73%, a 58.657 pontos, na mínima do dia até o momento.

"A notícia de queda nos resultados dos bancos e financeiras no segundo trimestre deste ano já era esperada; mas ela afeta o humor do investidor, como aconteceu ontem e tudo indica que deve afetar hoje, o que significa que o mercado está muito sensível e que qualquer notícia pode influenciar fortemente os negócios", diz um operador, ressaltando que enquanto os estrangeiros continuarem saindo da Bovespa vai ser difícil se ver uma inversão de tendência. "Não vejo notícia que possa fazer a Bolsa voltar a subir", afirma.

Racionalmente, diz a fonte, a Bolsa já está no "fundo" e ela não teria espaço para registrar fortes quedas. No entanto, diante do cenário de nervosismo, "tudo pode acontecer, inclusive a Bolsa romper o suporte dos 58 mil pontos".

A confiança dos investidores, já muito frágil pela recente disparada dos preços do petróleo, hoje é arrasada pela perspectiva de novas baixas contábeis e prejuízos decorrentes da crise de crédito. Surpreendentemente, o petróleo segue calmo e continua caindo, cotado abaixo de US$ 140,00 o barril tanto em Londres quanto em Nova York, após um comunicado do G-8 expressar "forte preocupação" com a alta das matérias-primas (commodities).

Ações

Por aqui, as ações do setor de siderurgia deverão mostrar recuperação na Bovespa, segundo apontam especialistas do setor, ao analisar que as sucessivas quedas dos papéis ocorridas até a semana passada não refletem a realidade dessas empresas. Para eles, o cenário ainda segue positivo para as companhias, principalmente por conta da aposta no mercado interno, que ainda não dá sinais de arrefecimento, ao mesmo tempo em que as importações são dificultadas pela alta de preços dos produtos da área no exterior.

Às 10h28, as ações preferenciais (PN) da Gerdau caíam 0,91%, os papéis ordinários (ON) da CSN recuavam 0,37%. Já as ações ON e PN classe A (PNA) da Usiminas tinham baixa mais expressiva, de 2,33% e 1,01%, respectivamente.

As ações da Petrobras e da Vale também seguem no foco, já que os papéis possuem grande liquidez e costumam ser alvo de investidores tanto para venda quando para compra. No mesmo horário, as ações ON e PN da estatal petrolífera cediam 1,37% e 1,74%, nesta ordem, enquanto os papéis ON e PNA da mineradora tinham baixa de 0,50% e 0,25%.

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