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Exportador tem a pior expectativa em 10 anos

As empresas exportadoras estão muito pessimistas quanto ao possível agravamento dos efeitos da atual crise global, que deve levar o mundo a um cenário de recessão no ano que vem. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), exclusivo para a Agência Estado e feito com base nos dados da Sondagem da Indústria da Transformação de novembro, mostra que as expectativas das empresas francamente exportadoras para os negócios nos próximos meses são as piores dos últimos dez anos.

Agência Estado |

Entre 68 empresas, que exportam mais de 50% da produção e têm faturamento total de R$ 53,6 bilhões, 64% prevêem piora da situação nos próximos seis meses, e apenas 3% acreditam em melhora.

Já antevendo recuo na demanda, o ritmo de produção das exportadoras em novembro ficou abaixo da média experimentada por esse tipo de empresa no período e também do total da indústria da transformação. Os dados mostram ainda que o nível de utilização de capacidade instalada (Nuci) das empresas francamente exportadoras ficou em 83% em novembro deste ano - o menor em quatro anos, para um mês de novembro, e abaixo da média da indústria da transformação para o mesmo mês (85,2%).

O coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV e responsável pelo levantamento, Aloisio Campelo, comentou que as exportadoras, de maneira geral, já contam com vários sinais que ajudaram a derrubar as projeções para 2009. Segundo o economista, mesmo com o dólar alto, o que dá maior rentabilidade ao exportador, a demanda internacional deve apresentar recuo expressivo, por causa da probabilidade de recessão, o que pode derrubar vendas e preços. “Esse provável movimento de queda nos preços das exportações, principalmente das commodities, deve sobrepujar o ganho das exportadoras com o câmbio.”

Para o economista-chefe da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Fernando Ribeiro, as empresas que vendem prioritariamente ao mercado internacional podem ser divididas em dois grupos: as exportadoras de commodities e as que vendem outros tipos de produto. No caso do primeiro grupo, o especialista comentou que, além dos efeitos de retração na demanda por causa da crise, de maneira geral as empresas que exportam esse tipo de produto terão de lidar com quedas nos preços em 2009, em comparação com os dois últimos anos imediatamente anteriores. “Vai ser um momento muito difícil para se fazer vendas lá fora”, afirmou.

Esse cenário já foi antecipado por pelo menos duas empresas exportadoras de commodities. Em outubro, a Vale cortou a produção em 30 milhões de toneladas, além de reduzir a produção do níquel de sua subsidiária Samarco. Este mês, o grupo EBX, do empresário Eike Batista, cortou completamente suas operações de minério de ferro em Corumbá (MS), com capacidade de 2,2 milhões de toneladas ao ano - que já produzia 1,6 milhão de toneladas por ano.

Segundo o diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, as estimativas da AEB para o desempenho da balança comercial do País em 2009 já estão prontas. Serão divulgadas na primeira semana de janeiro e “são muito negativas”. “Mas não projetamos déficit, porém (para a balança comercial em 2009).”

Castro observou ainda que a duração da crise entre as exportadoras também preocupa. Na análise do executivo, o cenário de preços em baixa e demanda internacional retraída pode durar todo o ano de 2009, com recuperação apenas em 2010.

Ao ser questionado se o cenário de 2009 para as exportadoras se assemelhava com alguma crise de anos anteriores, Castro negou enfaticamente. “Houve a crise dos anos de 1997 e 1998, mas foi uma crise dos países emergentes. E a crise do petróleo, em 1979. Mas essa crise de agora começou como uma crise financeira, tornou-se uma crise comercial e vai se tornar uma crise cambial. É uma crise com ramificações em toda a economia, que se entrelaçam formando um nó, que não sabemos como vai se desatar.”

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