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Exportador não precisará mais usar dólar com Argentina

O sistema de pagamento que dispensa o dólar no comércio entre Brasil e Argentina entrará em operação a partir de 3 de outubro, informou o Banco Central. O acordo foi assinado hoje pelos presidentes dos dois países, Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, e prevê a possibilidade de exportadores brasileiros e argentinos negociarem contratos em real e peso, sem o intermédio da moeda americana.

Agência Estado |

A diretora de Assuntos Internacionais do BC, Maria Celina Berardinelli Arraes, explicou que a adesão ao Sistema de Pagamento do Comércio Bilateral em Moedas Locais (SML) é voluntária, ou seja, que os exportadores dos dois países podem continuar recebendo em dólares se quiserem. A opção de usar dólar ou moeda local deve ser feita no momento em que for assinado o contrato ou preenchida a guia de exportação.

A vantagem do novo sistema é que ele permite ao exportador cotar seu produto na moeda do próprio país, sem se preocupar com a flutuação da taxa de câmbio e sem precisar fazer as chamadas operações de hedge (um seguro contra oscilações do câmbio). Para um pequeno ou médio produtor brasileiro, que tem todos os seus custos em real, é sempre melhor fugir dessas incertezas e ter a garantia de receber o valor combinado previamente na moeda local. Atualmente, o real vale cerca de 1,53 peso.

Além disso, o SML também pode reduzir custos na ordem de 4%, avaliam os técnicos do BC. Essa estimativa é muito preliminar, mas se baseia em dois componentes presentes hoje nas transações em dólar: primeiro, o chamado "spread" entre compra e venda de moeda (o preço do dólar sempre é mais alto para quem compra do que para quem vende); segundo, a diferença entre as taxas de balcão (oferecidas pelos bancos intermediários ao exportador/importador) e as taxas interbancárias (negociadas entre esses bancos e seus respectivos BCs, no Brasil ou na Argentina).

A diretora do BC adverte, entretanto, que a transação em moeda local também exigirá uma intermediação bancária e que ela também terá um custo em termos de tarifa. Espera-se que essa tarifa seja menor do que o atual custo de transação em dólar, mas isso não está garantido.

Diariamente, segundo Maria Celina, os bancos centrais dos dois países farão um acerto de contas, garantindo que o país com superávit de transações em cada dia receba uma depósito equivalente em dólares. Segundo ela, grandes exportadores que têm parte dos seus custos em dólar podem preferir manter suas transações em moeda americana; por isso, a expectativa inicial é de que apenas 10% a 30% do comércio bilateral seja feito por meio do SML.

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