O comércio da China com o restante do mundo registrou em janeiro queda mais acentuada do que a esperada pelos analistas, em razão da fraca demanda interna, da crise nos principais mercados do país e do efeito do feriado de ano-novo, que paralisou os embarques na última semana do mês. As importações despencaram 43% em janeiro, para US$ 51,3 bilhões, enquanto as exportações encolheram pelo terceiro mês consecutivo e registraram o maior recuo em uma década: 17,5%.

Os dois dados são na comparação com janeiro de 2008. O resultado foi um salto de 102% no superávit comercial da China com o restante do mundo, que alcançou US$ 39 bilhões no mês passado, o terceiro maior da história.

A forte queda nas importações reflete o recuo no preço das principais commodities compradas pela China e a fraqueza da demanda interna do país. "O enorme superávit comercial é resultado do grande declínio nas compras do exterior, em uma indicação de que a demanda e o consumo domésticos da China permanecem mornos", disse o chefe do escritório de previsões econômicas do Conselho de Estado, Fan Jianping, à agência oficial de notícias Xinhua.

O estímulo ao consumo interno é uma das armas que o governo de Pequim tenta usar para compensar o impacto da crise mundial e obter um ritmo de crescimento próximo de 8% em 2009. Mas a brutal queda nas compras do exterior é um indício de que a demanda está longe de impulsionar a economia.

"A grande diminuição nas importações mostra que as políticas para estimular a demanda doméstica e o consumo ainda não surtiram efeito", disse o economista Zhang Xiaoji, do Centro de Pesquisa do Desenvolvimento do Conselho de Estado.

As importações chinesas de minério de ferro, um dos principais produtos vendidos ao país pelo Brasil, recuaram 37% em valor e 11% em volume, o que evidencia o impacto da queda no preço das commodities.

A redução nas importações também está relacionada à acentuada retração das exportações de bens processados, que respondiam até o ano passado por cerca de metade dos embarques chineses ao exterior. Esses produtos são apenas montados na China, com partes e componentes importados de outros países.

Em janeiro, a exportação de bens processados recuou 25%, segundo a economista-chefe do UBS na China, Wang Tao. Se vende menos bens processados ao exterior, a China também importa um volume menor de peças utilizadas na fabricação. As vendas ao exterior de mercadorias não-processadas sofreram menos e tiveram recuo de 11%, abaixo da queda total de 17,5% nas exportações.


A economia chinesa sofre forte desaceleração no final de 2008 e registrou crescimento de "apenas" 6,8% no quarto trimestre, ritmo que o país não via desde 1990. O ano fechou com expansão de 9%, bem abaixo dos 13% de 2007. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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