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Exportação de álcool sai do papel e Petrobras investe

A Petrobras e a japonesa Mitsui anunciaram ontem que vão produzir 200 milhões de litros de etanol por ano no município de Itarumã, em Goiás. Trata-se do primeiro projeto de produção de etanol pela petroleira estatal, anunciado em um momento de mudanças nas expectativas do setor, que vem de um período de frustração provocado pelos baixos preços do combustível no Brasil.

Agência Estado |

Agora, as projeções são de aumento no volume de exportações, por conta dos altos preços do milho no mercado norte-americano.

A primeira usina de etanol com participação da Petrobras será feita por meio da Participações em Complexos Bioenergéticos S.A. (PCBios), parceria entre a estatal e a Mitsui na tentativa de criar um mercado firme para o álcool brasileiro no exterior. O investimento, que será controlado pela Itarumã Participações, chega a US$ 227 milhões. A unidade terá uma área plantada de 32 mil hectares de cana e usará o bagaço para gerar energia.

A Petrobras tem parceria com a estatal japonesa Nippon Alcohol Banhai para avaliar o mercado local de etanol. A expectativa é que os embarques regulares comecem em 2010, mas até agora há alguma frustração com relação ao acesso aos mercados internacionais. O baixo nível de exportações nos últimos anos jogou para baixo o preço do álcool no mercado interno, levando alguns grupos nacionais a reduzir o ritmo de projetos de expansão.

"Houve uma parada no surgimento de novos projetos", admite o diretor-técnico da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Antônio Pádua. Segundo ele, há 90 novas usinas previstas para até 2011, mas especialistas dizem que alguns projetos já foram adiados por conta dos baixos preços nos últimos dois anos. Recentemente, a Açúcar Guarani, por exemplo, condicionou o investimento na expansão da unidade de Tanambi (SP), inaugurada nos mês passado, e a construção de uma destilaria em Pedranópolis (SP) à melhora no mercado.

Já começam a surgir, porém, sinais de aquecimento. Na semana passada, a Unica reviu duas projeções de exportação este ano, de 4,5 bilhões para perto dos 5 bilhões de litros. A alteração foi provocada pela disparada do preço do etanol produzido nos Estados Unidos, que já supera, nas bombas, os US$ 3 por galão. Segundo dados da consultoria Datagro, mesmo contando com custos de frete e taxas de importação, o álcool brasileiro pode chegar aos Estados Unidos a US$ 2,75 por galão, o que viabiliza novas exportações.

Tal cenário já começa a impactar os preços internos: nos últimos 12 meses, o litro do álcool hidratado nas usinas paulistas subiu 25,3%; o anidro subiu 23,9%. O mercado espera recuperação ainda maior a partir do segundo semestre. "As coisas estão mudando a cada semana", diz o consultor Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, da Canaplan.

Carvalho diz que o namoro de grandes grupos petroleiros, com BP, Shell e Chevron, com o etanol brasileiro é um sinal de que o espaço para o produto no mercado internacional tende a crescer. A suspensão de investimentos, dizem os especialistas, limita-se a grupos nacionais, que estão com as finanças combalidas pelos baixos preços dos últimos dois anos.

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