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Ex-piloto denuncia pressão do governo na venda da Varig e faz apelos a Senado

BRASÍLIA - O ex-piloto da Varig Élnio Malheiros acusou o governo, em depoimento feito no Senado nesta quarta-feira, de ter feito pressão para que a companhia aérea não fosse vendida a uma empresa constituída por seus trabalhadores. Segundo Malheiros, da forma como foi feita ¿ para um grupo de investidores e depois à Gol ¿ a transação resultou num calote de impostos e dívidas trabalhistas, que deixaram na penúria ex-funcionários da Varig.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

O depoimento de Élnio era aguardado com muita expectativa pela oposição, porque se encaixa na estratégia de apontar o suposto tráfico de influência do Palácio do Planalto na venda da Varig após a crise da companhia. 

O ex-piloto, logo no início do depoimento aos senadores, disse que falava em nome de quase 10 mil trabalhadores que ficaram sem emprego e sem o sistema de aposentadoria da empresa, porque na venda e recuperação da Varig os novos proprietários ficaram isentos de pagar dívidas tributárias e trabalhistas por decisão da Justiça.

A dívida hoje já supera R$ 10 bilhões, com juros e correção monetária, e menos de 1% da dívida foi paga. Esse negócio começou há muito tempo e hoje está na consolidação, o tráfico de influência e as pressões passaram das áreas de ação do Poder Executivo para o Judiciário, mas as pressões permanecem, acusou Élnio Malheiros.

Em seguida, fez um apelo para que o Senado pressione pelo reconhecimento das dívidas trabalhistas da empresa, além de uma CPI para o caso. Peço ao Senado que faça uma CPI para descobrir quem é o investidor do fundo Mattlin Patterson [um dos compradores da VarigLog], que é apenas o testa-de-ferro do negócio.

O piloto fez um relato das etapas da recuperação da Varig desde 2006 e jogou suspeita sobre a recusa da Justiça de aceitar o primeiro leilão (em junho de 2006) feito para venda da Varig, no qual o único lance comprador ¿ naquele dia declarado vencedor ¿ foi o da empresa criada pelos ex-trabalhadores da companhia.

Arrematamos o leilão fazendo uma proposta com valor acima de R$ 2,4 bilhões, numa compra diferente dessa que foi feita, porque respeitava o pagamento de tributos. No nosso plano enfrentaríamos e pagaríamos a dívida tributária, não haveria calote, e respeitaríamos todas as dívidas trabalhistas, sustentou o piloto.

O depoente afirmou que a data na qual a Justiça determinou um novo leilão foi a mesma data citada pela ex-diretora da Anac Denise Abreu como o auge da pressão governamental sobre aquela agência. O dia 23 de junho de 2006 foi a mesma data em que Denise Abreu disse que a Anac não tinha como resistir à pressão e reconheceu a VarigLog como capaz de comprar Varig, e nós fomos impedidos de participar do segundo leilão.

Os senadores de oposição aproveitaram o relato e levantaram suspeitas sobre a cúpula do governo. Para ele, o governo não queria salvar a Varig, mas produzir um bom negócio para amigos como o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que assessorou os compradores da empresa.

A alternativa existia e foi jogada no lixo. A empresa foi vendida para quem não tinha compromisso com pagamento de dívidas. Resta a alternativa de que a venda tenha sido feita para produzir um bom negócio para quem comprou, criticou o líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN).

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