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Dono de uma fortuna de US$ 12 bilhões (R$ 19,4 bilhões), homem mais rico da China é conhecido por ser mão de vaca

A ambição que Zong Qinghou, o homem mais rico da China , tem para os negócios não é a mesma na vida pessoal. O executivo, que tem US$ 12 bilhões (R$ 19,4 bilhões) segundo o relatório Hurun Report, que reúne lista os endinheirados chineses, é conhecido por ser mão de vaca, rótulo que prefere ignorar. O fato de não gastar se dá por não ter tempo e hábito de consumir. “Eu não me controlo para não ser consumista. Sou de origem pobre e não desenvolvi o hábito de comprar”, disse em entrevista exclusiva ao iG , em seu escritório, em Hangzhou, na China. “Além disso, sou muito ocupado para pensar em luxo”.

Antes de criar sua empresa de bebidas alcoólicas, a Wahaha, nome que foi inspirado no som de uma gargalhada de um bebê, Zong havia trabalhado por 15 anos no campo. Filho de uma professora de escola primária – ele jamais cita o pai quando perguntado sobre os pais –, ele fundou a companhia quando já tinha 42 anos. “Quando minha mãe aposentou, ocupei a posição dela na escola. Comecei então um negócio, mas as pessoas me subestimavam. Decidi trabalhar para valer, para que pudesse ser respeitado”, diz.

Segundo ele, sua origem o impede de sentir vontade de desperdiçar o que conquistou ou de comprar apenas por comprar. “Não me estresso com o dinheiro, fui acumulando minha fortuna passo a passo e, na realidade, não me preocupo muito com isso”, afirma com o tom sóbrio e ao mesmo tempo simpático que predomina durante toda a entrevista.

Ao contrário de Zong, sua única filha, Zong Fuli, de 28 anos, gosta de fazer compras. Segundo jornais chineses, que a apontam como a mais famosa jovem herdeira da China, ela tem 10 carros. Quando o executivo fala dos seus planos para Fuli na empresa, fica um pouco incomodado e limita-se a dizer que hoje ela é responsável por um terço dos negócios da Wahaha.

Leia a entrevista com Zong Qinghou.

O mesmo desconforto, entretanto, ele não mostra com outros assuntos difíceis. No início deste ano, Zong afirmou à imprensa chinesa que se não fosse um homem tranquilo teria se matado quando a Wahaha brigou com a Danone. Sócias, as duas companhias discutiram durante dois anos, depois de a francesa ter acusado a Wahaha de vender seus produtos com nomes de outras marcas. Em 2009, a briga terminou com a Danone devolvendo sua fatia na sociedade à empresa chinesa.

Zong também falou com tranquilidade sobre o momento mais difícil da história da empresa, quando produtos à base de leite mataram crianças na China. “Foi uma época complicada e ainda lutamos para retomar o mercado que perdemos para marcas de leite estrangeiras”, afirma.

Desde o dia 27, o iG está publicando uma série de reportagens sobre a China . O portal viajou por 4 mil quilômetros naquele país para descobrir como a China está se preparando para se tornar a maior economia do mundo .

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