Ecocity, com prédios "inteligentes", veículos elétricos e energias renováveis, ficará pronta em 2025

Uma cidade com 350 mil pessoas movida à energia renovável. Escolas, hospitais, fábricas, shoppings, clubes e casas, tudo desenvolvido por projetistas especializados em meio ambiente. As ruas são arborizadas, o transito é tranquilo.

A luz natural é totalmente aproveitada nas construções de forma a evitar o uso da energia elétrica. A água é reutilizada, os carros públicos são elétricos. Esta é a Ecocity, primeira cidade ecológica da China. Por enquanto, o projeto só está pronto nas maquetes, mas a construção avança a ritmo chinês e tudo deverá estar concluído em até 15 anos.

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A Ecocity, que será do tamanho da paranaense Maringá e da paulista Bauru, fica a 20 quilômetros de Tianjin, uma das quatro unidades administrativas autônomas da China.

O acesso é feito por carros, mas haverá um metrô ligando as duas cidades. As construções da cidade ecológica começaram em 2009, um ano depois de os governantes locais terem fechado uma parceria com o governo de Cingapura para desenvolver o projeto.

Entrada da Ecocity: cidade ecológica procura empresas de tecnologias limpas
Olívia Alonso
Entrada da Ecocity: cidade ecológica procura empresas de tecnologias limpas
Em Tianjin, a Ecocity é motivo de orgulho e algumas famílias já estão comprando suas casas para morar ainda este ano ou como investimento para revender depois.

“Qualquer pessoa pode morar na Ecocity. Minha tia já comprou uma casa, de pouco mais de 150 metros quadrados e está se preparando para mudar para lá ainda este ano”, diz o jovem Wang Yidong, que mora em Tianjin.

O preço médio do metro quadrado para as residências é 15 mil yuan (cerca de R$ 4 mil), segundo Wang Jianzhu, assessora do departamento de comércio do comitê da Ecocity. Ela afirma que vale a pena pagar mais caro do que em outros locais porque a economia de energia graças à inteligência dos prédios vai compensar o investimento no médio prazo. No centro de Tianjin, por exemplo, o preço médio é 10 mil yuan (R$ 2,5 mil).

- Cidades são cinza, mas China investe para se tornar verde

Mas também estão sendo projetados prédios e casas para a população de renda mais baixa, de acordo com ela. Apesar de estar perto de Tianjin, o governo pretende que todos trabalhadores da Ecocity morem dentro da cidade ecológica.

O investimento inicial na Ecocity foi de 4 bilhões de yuan (cerca de R$ 998 milhões), desembolsados por uma joint venture entre um consórcio chinês, liderado pela Tianjin Eco-City Investment and Development, e um de Cingapura, encabeçado pela Singapore Tianjin Eco-City Investment Holdings, com o apoio do governo de Tianjin.

Com a largada, os sócios levantaram seu prédio administrativo, totalmente abastecido por energia do sol, e construíram as primeiras casas, todas com painéis solares no topo. Nas ruas, a iluminação é feita por postes com hélices que capturam a energia do vento.

A construção da cidade, que no total terá 30 quilômetros quadrados, foi dividida em fases. A primeira dela está prevista para terminar ainda em dois anos e terá quatro bairros, um parque de negócios, um pequeno centro comercial, um hospital, cinco escolas primárias, duas secundárias e seis creches, além das casas e empresas.

Até 2013, serão instalados todos os serviços de infraestrutura, como saneamento, água reciclada, gás, internet, eletricidade e aquecimento. No inverno, em janeiro, a temperatura na região chega a cair a -4ºC. Até 2025, a, a cidade estará totalmente pronta.

Primeiras casas da Ecocity estão prontas
Olívia Alonso
Primeiras casas da Ecocity estão prontas
Em 2020, 90% dos meios de transporte serão pró-meio ambiente, feitos por veículos elétricos ou bicicletas.

“Não há como obrigar todos os moradores a andarem em carros não poluentes, mas vamos incentivar a população”, diz Wang Jianzhu. Segundo ela, o projeto foi desenhado para permitir que os moradores possam ir de suas casas aos supermercados, shoppings, hospitais e escolas a pé.

Neste momento, os criadores da Ecocity estão atrás de mais empresas para instalar suas fabricas e gerar emprego para os futuros moradores. A meta da Ecocity é de ter pelo menos 50 cientistas e engenheiros para cada dez mil trabalhadores até 2020.

Jianzhu, que é encarregada de apresentar o projeto aos potencias interessados, sejam famílias ou empresas, afirma que companhias de energia renovável, de desenvolvimento de tecnologia verde, têm a preferência do governo.

“Algumas companhias que desenvolveram as primeiras placas solares já estão construindo filiais na Ecocity,” afirma. Entre elas está a Yingli Solar, que ficou conhecida mundialmente depois de patrocinar a Copa da África do Sul. No final de abril, seis acordos de novos investimentos foram assinado com empresas, totalizando cerca de 500 milhões de yuan (R$ 124 milhões). Parte deste montante sairá da Keppel, companhia cingapuriana de infraestrutura urbana que possui uma participação de 25% do projeto da Ecocity e vai construir, administrar e operar um centro de tratamento de água.

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Energia solar abastece postes do primeiro bairro residencial da Ecocity
Olívia Alonso
Energia solar abastece postes do primeiro bairro residencial da Ecocity
Para Paul Liu, diretor da Fortune Consulting e conselheiro da Câmara Brasil China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), a Ecocity é um exemplo a ser seguido e uma ótima propaganda para o governo chinês, que vem anunciando esforços para transformar o país em um amigo do meio ambiente. Com 70% de sua energia vinda do carvão, uma das fontes mais poluentes, a China conquistou o título de maior emissor de poluentes do mundo e é a casa de duas das dez cidades mais poluídas do planeta.

Depois de argumentar que tem o direito de se desenvolver, afirmando que os países desenvolvidos poluíram o mundo durante anos para crescer, o governo chinês agora está obstinado em se livrar da fama de poluidor. Para David Li, economista da Universidade de Tsinghua, de Pequim, as autoridades estão cientes de que não há alternativas para a China senão diminuir o consumo de matérias primas e investir em fontes renováveis de energia. “Se continuarmos no ritmo atual, o mundo inteiro será impactado”, afirma.

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