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Expansão forte deve aliviar pressão sobre o BC

O crescimento de 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no 3º trimestre deve aliviar um pouco a pressão sobre o Banco Central (BC) e seu presidente, Henrique Meirelles. Nos últimos dias, vários dados negativos sobre a atividade econômica no Brasil levaram analistas de mercado e integrantes do governo a pedir uma redução imediata da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano.

Agência Estado |

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC iniciou ontem sua última reunião do ano. O encontro termina hoje à noite. "O resultado do PIB dá ao BC certa tranqüilidade para analisar melhor os desdobramentos da crise no Brasil", disse o economista Marcelo Fonseca, da gestora de recursos M. Safra.

O raciocínio dele tem por base um fenômeno conhecido como inércia. Em economia, significa a continuidade de um movimento. Exemplo prático disso é uma pessoa que iniciou a construção de uma casa e vai terminá-la independentemente do cenário econômico. Ou uma empresa que tenha começado um grande investimento e não possa abortá-lo no meio do caminho.

Antes da divulgação do PIB do terceiro trimestre, o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, calculava que a inércia garantia uma expansão de 0,5% da economia no ano que vem. Depois dos números anunciados ontem, o efeito de inércia, segundo ele, aumentou um ponto porcentual. Ou seja, o País crescerá, na pior das hipóteses, 1,5% no ano que vem.

Nesse cenário, a expansão em 2009 não estaria tão ameaçada como muitos imaginavam. O BC, portanto, não precisaria correr para reduzir o juro e, assim, estimular tão rapidamente a atividade econômica.

O resultado trimestral também fez Borges recalcular o chamado PIB potencial do Brasil. O conceito, que não é unanimidade entre os economistas, mostra quanto um país pode crescer sem causar pressões inflacionárias. Com isso, diz ele, a tarefa do BC de trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% fica mais facilitada. Hoje, o índice oficial do País (IPCA) está em 6,39% na medição de 12 meses.

"Isso abre uma avenida para o BC reduzir a Selic lá na frente", explicou Borges. Antes do PIB, ele projetava uma queda do juro apenas a partir do meio do ano que vem. Agora, já vê um recuo na reunião de abril do Copom. No fim de 2009, a taxa estará, segundo ele, em 12,75% ao ano.

O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, está revendo para baixo sua estimativa para a taxa Selic. Antes, acreditava em manutenção dos 13,75% ao ano até o fim de 2009. Agora, tende a baixá-la para 12,50%. Ele ressalta, porém, que a mudança não está relacionada com o PIB anunciado ontem, mas com a própria dinâmica da economia expressa nos últimos dados de atividade.

"O efeito da contração sobre a inflação me parece maior do que o risco de alta dos preços por causa da desvalorização do real", disse.

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