BRASÍLIA - O sazonal desaquecimento na contratação de mão-de-obra no fim do ano não deve afetar a meta de criar 2 milhões de empregos formais para 2008, afirmou hoje o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele observou que sua previsão sobre efeito neutro da inflação e dos juros altos no mercado de trabalho está se cumprindo, pois o estoque de vagas novas no ano até julho foi recorde em 1,564 milhão, próximo à marca de 1,61 milhão em todo 2007.

O crescimento econômico começou forte este ano e vai continuar muito aquecido, por vários fatores, assinalou o ministro. Eu destaco a recuperação de renda do trabalhador, em especial a política de valorização do salário mínimo que tem efeitos em cascata, impulsionando o consumo, completou Lupi.

Ao divulgar os dados sobre empregos formais apurados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Lupi lembrou que pesquisa do ministério apontou um aumento real de 22,36% no salário médio do trabalhador brasileiro nos últimos cinco anos (a preços do primeiro semestre de 2008 deflacionados pelo INPC), sendo que as maiores médias foram encontradas no Maranhão (38,71%) e no Acre (37,08%).

O ministro reiterou que a expansão econômica que puxa o emprego já resulta na falta de oferta para várias funções em todo o país. Para tentar sanar o problema na área da construção civil, que bate recordes históricos de crescimento e já se ressente de profissionais como eletricistas, azulejistas e encanadores, por exemplo, o governo começa cursos de capacitação em outubro.

A iniciativa também tem o caráter político de apaziguar críticas sobre a acomodação que o programa social Bolsa Família geraria nos beneficiários. Lupi disse que os primeiros selecionados serão 200 mil pessoas de baixa renda cadastradas nesse programa, em 13 Estados, onde foi detectada uma demanda elevada de potenciais trabalhadores para a construção civil.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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