SÃO PAULO - O crescimento econômico do País em 2008 beneficiou mais os homens do que as mulheres no mercado de trabalho. Essa é uma das conclusões da pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese sobre a participação feminina no mercado de trabalho da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) no ano passado, por ocasião do Dia Internacional da Mulher (8 de março).

De acordo com a pesquisa, o desemprego caiu para homens e mulheres, mas a redução foi mais intensa para homens. Já o rendimento cresceu para homens e diminuiu para mulheres. Dessa forma, a distância entre mulheres e homens no mercado de trabalho, que já era considerável, aumentou no ano passado. "Em 2008, o crescimento econômico foi mais favorável aos homens", disse a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa.

Como o desemprego feminino já era maior, os homens acabaram sendo mais beneficiados. Para as mulheres, o desemprego na RMSP recuou de 17,8% em 2007 para 16,5% em 2008. Entre os homens, o desemprego, que estava em 12,3%, caiu para 10,7% no ano passado. "A diferença continua muito elevada", avaliou Patrícia. No cálculo do desemprego agregado, as mulheres foram 57,5% do total de desempregados da RMSP em 2008, ante 55,5% em 2007.

Outro fator que contribuiu para esse resultado mais favorável aos homens foi o aumento da taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho na RMSP, de 2,4% em 2008 ante 2007, bem maior que o crescimento verificado entre homens, de 0,8% no período.

Entre os homens, a taxa de participação, que estava em 71,4% em 2007, cresceu para 72% em 2008. Entre as mulheres com dez anos de idade ou mais, a proporção das que estavam no mercado de trabalho como ocupadas ou desempregadas subiu de 55,1% em 2007 para 56,4% em 2008.

Foi a primeira expansão na taxa de participação das mulheres na RMSP em três anos, depois de uma estabilidade nos anos de 2005 e 2006 e um pequeno decréscimo em 2007. Mulheres de todas as idades, escolaridade, raça/cor e posição no domicílio entraram no mercado de trabalho, principalmente as com idade entre 50 e 59 anos, menor escolaridade e casadas. Em 2008, elas passaram a ser 45,1% do total de ocupados da RMSP, ante 44,7% em 2007.

"A inserção das mulheres no mercado de trabalho têm sido muito forte desde a década de 1980, mas as diferenças entre o trabalho de homens e mulheres continuam perversas. Os salários são menores e o desemprego delas é maior", avaliou a socióloga da Fundação Seade, Cecília Comegno.

O nível de ocupação cresceu mais para as mulheres (5,6% em 2008 ante 2007) do que para os homens (3,8% no período). Para elas, a maior parte dos empregos foi gerada nos setores de comércio e serviços. Para eles, as vagas cresceram mais na indústria e na construção civil. "Temos indicadores positivos para as mulheres, como o aumento maior da ocupação e da taxa de participação no mercado de trabalho, mas ainda assim o desemprego caiu mais para os homens", explicou Patrícia.

Outro fenômeno que explica por que os homens foram mais favorecidos que as mulheres foi o fato de o crescimento econômico de 2008 ter sido puxado principalmente pelos setores da indústria e da construção civil, cujas ocupações são tipicamente masculinas. O nível de ocupação dos homens aumentou 21,1% na construção civil e 5,8% na indústria. Como faltou mão de obra nessas áreas, o rendimento dos trabalhadores desses setores aumentou e acabou puxando a média dos rendimentos dos homens para cima.

Por outro lado, no ano passado, o crescimento da ocupação entre as mulheres foi maior nos setores de comércio (5,9% em 2008 ante 2007) e serviços (7,6% no período), áreas em que a rotatividade é maior e o rendimento, que já é inferior, diminuiu. Especificamente em serviços, que emprega 53% das mulheres da RMSP, o emprego aumentou entre os serviços de transporte e armazenagem (28,3%), auxiliares (26,1%), creditícios e financeiros (17,5%) e alimentação (13,2%).

Já na área de educação, que paga um dos melhores salários nesse setor, o rendimento caiu 3,8%. Um dado positivo foi que o segundo setor que mais emprega mulheres na RMSP, o de serviços domésticos, teve seu peso diminuído de 17,2% em 2007 para 16,3% do total de mulheres no mercado de trabalho da RMSP em 2008.

O rendimento das mulheres caiu 0,9% em relação a 2007 e passou a corresponder a R$ 5,76 por hora. Já o rendimento dos homens aumentou 1% no período e passou a corresponder a R$ 7,53. Assim, em 2008, o rendimento das mulheres passou a equivaler a 76,4% do rendimento dos homens, pior do que era em 2007 (77,9%).

O rendimento médio anual das mulheres da RMSP em 2008 equivalia a R$ 961, e o dos homens, a R$ 1.451. Nesse cálculo, porém, leva-se em conta que a jornada de trabalho média dos homens da RMSP, de 45 horas semanais, é maior que a das mulheres, de 39 horas semanais.

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