O crescimento econômico da Alemanha perdeu força em 2008 e atingiu o menor nível em três anos, puxado pela forte desaceleração das exportações, que deve continuar em 2009, segundo analistas. O desempenho deve levar o país para a pior recessão desde o pós-guerra.

Dados preliminares divulgados ontem pela agência de estatísticas mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) alemão cresceu 1,3% no ano passado, o desempenho mais fraco desde 2005. A desaceleração global afetou as fábricas alemãs, gerando um recuo recorde nas exportações em novembro e aumentando os temores sobre a possibilidade da economia entrar em uma profunda recessão.

"Não existe esperança de que vamos ficar positivos (em termos de PIB) em 2009. A coisa tende a ser pior. Estamos esperando uma contração de 2,5%", afirmou Alexander Koch, economista do Unicredit. A mediana das projeções coletadas pela Reuters com 28 economistas apontava para um crescimento anual em 2008 da Alemanha de 1,4%. Em 2007, a maior economia da Europa teve um crescimento de 2,5%.

Desde a Segunda Guerra Mundial, a economia da Alemanha nunca registrou contração maior do que 1% em um ano, mas alguns analistas acreditam que existe o risco de o país ter uma contração de 3% ou mais em 2009.

Para tentar conter esse risco, o governo da chanceler Angela Merkel acertou dois pacotes de estímulo que somam aproximadamente 81 bilhões (US$ 108 bilhões) para os próximos dois anos. A agência de estatísticas estima que a economia alemã teve contração entre 1,5 e 2%, nos últimos três meses de 2008, o que será a maior contração trimestral desde a reunificação da Alemanha em 1990.

A produção industrial dos 15 países que adotam o euro como moeda caiu 1,6% em novembro de 2008, ante outubro, e 7,7% ante o mesmo período em 2007, de acordo com a Eurostat. Foi a maior queda para um mês de novembro desde que a série de dados sobre produção industrial começou a ser divulgada, em janeiro de 1990.

A retração aumenta a possibilidade de mais um corte na taxa de juros do bloco pelo Banco Central Europeu (BCE), que se reúne hoje. Espera-se um corte de 0,50 ponto porcentual, para 2% ao ano.

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