Santiago do Chile, 14 out (EFE).- A atual crise financeira, que impulsionou uma volatilidade que impressiona aos mercados mundiais, é de tal magnitude que afetará os créditos internacionais agrícolas, assinalou hoje em Santiago o representante da FAO na América Latina e no Caribe, José Graziano da Silva.

"Esta crise é um impacto global pela qual todos estão afetados e todos foram surpreendidos", ressaltou Graziano em reunião com correspondentes estrangeiros.

Graziano afirmou que a desnutrição afeta 923 milhões de pessoas no mundo, das que 51 milhões na América Latina e no Caribe e se disse preocupado pelo que possa ocorrer com os créditos que os bancos concedem ao setor agrícola.

"As variações são de uma magnitude à qual os países não estavam acostumados, mais ainda quando se vivia uma estabilidade monetária e financeira desde depois dos anos 80, com crédito abundante e barato", acrescentou o ex-ministro de Segurança Alimentar do Governo Lula e mentor do finado programa Fome Zero.

"Tomara que (a crise) não afete linhas de créditos do comércio internacional, porque são importantes para o crescimento do setor agrícola, especialmente na América Latina. Esta região depende muito do setor exportador para seu crescimento interno", disse.

Graziano destacou que a crise deixou uma lição no planeta, que é "a rapidez com que se estabeleceu a coordenação entre os países, na direção correta e sem a intervenção de terceiros, como as instituições internacionais", indicou.

Sobre a produção de biocombustíveis, Graziano afirmou que ela não afetou a produção nem a entrega de alimentos na região, fundamentalmente porque Brasil é o país que mais utiliza este sistema "e ao Brasil lhe sobra terra para semear".

Afirmou que a celebração do Dia Mundial da Alimentação, em 16 de outubro, ocorrerá em um momento crítico para a segurança alimentar mundial, já que segundo estimativas de 2007 o número de famintos no mundo aumentou em 75 milhões, chegando a 923 milhões, após a alta dos preços dos alimentos.

Graziano disse que, após cair de 53 milhões para 45 milhões entre 1990 e 2006, o número de pessoas com fome na América Latina e no Caribe subiu novamente para 51 milhões, com as altas dos alimentos.

"Isso, certamente, dificulta o cumprimento do compromisso assumido na Cúpula Mundial da Alimentação de reduzir pela metade o número de pessoas mal alimentadas no mundo", sustentou.

Segundo o representante regional da FAO, um de cada dez habitantes sofre de desnutrição na América Latina, onde reduzir a fome à metade até 2015 - um dos Objetivos do Milênio assinados por 191 países -, requereria que a cada ano 3 milhões de pessoas deixem de viver na miséria.

"Sem dúvida, a atual crise financeira que sofre o mundo dificultou o desejo de muitos Governos de reduzir a fome em seus países", acrescentou. EFE mc/jp

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