Nenhum empresário arrisca dizer aonde a crise vai bater e quais serão os efeitos da turbulência financeira na renda do consumidor. Enquanto boa parte da economia se retrai, colocando em suspenso seus planos de negócios, representantes do setor de telecomunicações preferem dizer que a crise se abre como um período de oportunidades.

As concessionárias Embratel e Telefônica já declararam a intenção de elevar seus investimentos em 2009. No caso da Telefônica, a meta traçada neste momento é de repetir no próximo ano - ou aumentar "um pouquinho" - o desembolso de R$ 2 bilhões programado para 2008, segundo o vice-presidente de Finanças da empresa, Gilmar Camurra.

O presidente da concessionária, Antonio Carlos Valente, diz que não há, no momento, indicação de aumento da inadimplência e redução do tráfego de voz e de dados. "A gente acredita que nosso setor será dos menos afetados", pontua o executivo da Telefônica, destacando que o aumento da competição nas telecomunicações forçou as empresas a trabalhar com uma melhor estrutura de custos e mais agilidade nos processos de decisão, de modo a responder mais rapidamente às constantes inovações tecnológicas.

O diretor-executivo da área corporativa da Embratel, Mauricio Vergani, acha que a crise financeira pode representar uma chance de conquistar mercados. Por isso, planeja aumentar seus investimentos em 2009, embora não revele números. "A orientação do grupo é investir em países com oportunidades de crescimento, como é o caso do Brasil", comenta o executivo, para quem a empresa poderá entrar nos mercados de telefonia local e acesso à internet, especialmente para pequenas empresas, com uma oferta mais barata que da concorrência.

Durante painel da Futurecom 2008 realizado ontem, o presidente da Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, disse acreditar que o setor de telecomunicações "tem características defensivas" que lhe permite conviver com a crise "melhor do que outros setores", embora reconheça que é cedo para inferir se a crise respingará no setor real da economia. "Na distribuição do rendimento das famílias, a parte alocada em telecomunicações talvez seja menos afetada do que a parcela destinada a outros bens", afirma. O braço de inovação da PT inaugurou ontem, em Salvador, na Bahia, um centro de pesquisa e desenvolvimento de software.

Do lado dos fornecedores de infra-estrutura, o vice-presidente da Ericsson, Carlos Duprat, diz estar "aliviado" e "satisfeito" com a manifestação das operadoras, seus clientes, que manterão os investimentos. Ele disse que ter brigado muito, no ano passado, para manter a fábrica da empresa no Brasil. Mas que agora, com o dólar mais caro, a planta local lhe possibilita ter preços e custos mais competitivos. "2009 vai ser um momento de riscos, mas também de oportunidades", acredita Duprat, dizendo que a tecnologia tem se mostrado essencial para a redução de custos e aumento da produtividade das empresas, por isso continuará a ser procurada.

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