Na terça-feira, os presidentes das Três Grandes - Rick Wagoner da General Motors, Robert Nardelli, da Chrysler, e Alan Mulally da Ford - enterraram suas chances de receber um resgate rapidamente, ao chegarem a Washington nos jatinhos particulares de suas companhias, para pedir dinheiro público em audiência no Congresso. É bastante irônico ter jatinhos particulares de luxo voando para Washington DC, e pessoas desembarcando com pires na mão, disse o deputado Gary Ackermann na audiência.

"É mais ou menos como ver um sujeito de smoking na fila do sopão¿será que vocês não poderiam ter vindo de primeira classe ou pelo menos todo mundo no mesmo jatinho?"

O desastre em relações públicas rendeu. "Levante a mão se algum de vocês pretende vender o jatinho agora e voar de volta para Detroit em avião de carreira", disparou Brad Sherman. Ninguém levantou a mão. O deputado Peter Roskam chegou a perguntar se os executivos se disporiam a abrir mão de seus salários por um ano, para receber o socorro. "Eu não tenho uma opinião sobre isso", disse Wagoner da GM, que recebeu salário de US$ 14,4 milhões no ano passado. "Eu acho que estou bem do jeito que estou", disse Mulally, que teve rendimentos de US$ 21,7 milhões.

O presidente do sindicato dos operários de montadoras, United Auto Workers, alertou o Congresso e o governo do presidente George W. Bush para a "catástrofe" que pode ser a falência de uma das montadoras. "Sem ajuda, uma ou mais montadoras podem quebrar até o fim do ano e os custos seriam enormes", disse Ron Gettelfinger.

Os executivos precisam apresentar seu plano até o dia 2 de dezembro, para que o Congresso convoque audiências e inicie votações no dia 8 de dezembro. Até agora, nenhuma das propostas de resgate das montadoras conseguiu o apoio necessário para ser aprovada no Senado. Com a opinião pública contra os executivos, o futuro da proposta continua incerto em dezembro.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.