RIO - O economista-chefe do Santander, Alexandre Schwarstman, acredita que o Banco Central (BC) terá que lançar mão de um aperto monetário maior para evitar uma escalada inflacionária em meio à crise internacional. Na visão dele, a apreciação cambial não deverá ser explosiva, mas suficiente para mudar o patamar médio de câmbio, o que obrigará, segundo ele, a ajustes na demanda interna.

Schwarstman frisa que a demanda interna cresce a uma taxa de 8% ao ano, acima do Produto Interno Bruto (PIB), que ficou em 6% nos seis primeiros meses de 2008 (média anualizada). "Não vamos poder sustentar uma demanda doméstica em 8%. Nem em 5,5%, que era nossa projeção para o ano que vem, antes da crise, com o patamar mais elevado do câmbio", ressaltou ele, que participou do seminário "A crise financeira internacional: recessão x inflação", promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Valor Econômico no Rio de Janeiro.

O economista explica que o aperto monetário deverá ser necessário, pois não vê espaço para um ajuste fiscal no ano que vem. O ex-diretor do BC acredita que essa política fiscal se tornará "mais expansionista do que já é".

Antes da crise, Schwarstman esperava que os juros básicos da economia subissem até 14,75% ao ano, onde se estabilizariam. O economista ponderou que a restrição ao crédito internacional não terá tanto impacto para segurar a demanda interna. Segundo ele, o crédito externo para companhias brasileiras atingiu US$ 31,7 bilhões em agosto de 2008, contra US$ 67,59 bilhões em agosto do ano passado. Já o crédito doméstico para empresas no Brasil chegou a US$ 574,51 bilhões em julho deste ano.

"Essa história de que a restrição de crédito vai nos livrar do que temos que fazer não me parece verdadeira", acrescentou o economista.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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