Tamanho do texto

O ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) embaixador Sebastião do Rego Barros defende que o governo não deve decidir agora sobre a criação de uma nova empresa para o setor de petróleo. A nova estatal vem sendo apontada como uma alternativa para organizar a exploração e produção do petróleo encontrado abaixo da camada de sal, na Bacia de Santos, em regime semelhante ao de partilha, utilizado em países que são grandes produtores do produto.

"Não consigo ver a necessidade de uma nova empresa", disse o embaixador, em entrevista durante o seminário em comemoração aos 10 anos do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Para ele, é importante que o Brasil não se descuide de continuar a aumentar sua produção de petróleo, como já vinha fazendo antes do anúncio das descobertas das jazidas na camada pré-sal.

O embaixador disse que as incertezas sobre a regulação do setor embutem o risco de afastamento de investidores e lembrou que os prazos que separam a fase exploratória da produção efetiva normalmente são longos.

"Entre a descoberta e os passos seguintes há um tempo e eu tenho muito medo que suspendam as licitações. Aí, nós vamos pagar uma conta muito grande", afirmou.

O ex-diretor geral da ANP disse que, segundo "os maiores peritos e geólogos, só vai haver produção (do petróleo descoberto no pré-sal) em 2014 ou 2015". Rego Barros também defendeu a atual regulamentação do setor - o governo também cogita fazer mudanças na Lei do Petróleo. "O pré-sal em grande parte foi encontrado porque temos uma boa legislação", afirmou.