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Depois de 10 meses preso no principado de Mônaco, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola chegou ao Brasil na madrugada desta quinta-feira. O vôo 8055 da TAM pousou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, por volta das 4h30.

Arquivo
O ex-banqueiro Salvatore Cacciola

Após a extradição de Mônaco, Cacciola desembarcou no Rio acompanhado por agentes da Polícia Federal. Depois de passar pela Superintendência da PF, ele seria apresentado à Justiça Federal no Rio.

Segundo o advogado do ex-banqueiro, Carlos Eluf, Cacciola afirmou que "está contente por voltar ao Brasil e que confia na Justiça".

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Gomes de Barros, já havia concedido liminar para impedir os policiais federais de algemar Cacciola na sua chegada ao País.

Na decisão, o presidente do STJ argumentou que o ex-banqueiro, devido à idade (64 anos), não ofereceria risco aos policiais. Na mesma liminar, Barros garantiu o direito a Cacciola de se comunicar "pessoal e reservadamente" com seus advogados.

A defesa de Cacciola havia pedido ao STJ, além disso, que o ex-banqueiro não fosse detido no desembarque no Brasil, respondendo ao processo em liberdade. Esse pedido foi negado liminarmente pelo tribunal.

Cacciola deixou na manhã da quarta-feira, pelo horário de Brasília, a prisão de Mônaco, onde estava desde 15 de setembro. Escoltado por agentes da Polícia Federal brasileira, embarcou em helicóptero para o aeroporto de Nice, na França, de onde pegou um avião para Paris, viajando da capital francesa para o Rio.

Segundo a estudante Heloisa Helena de Almeida, que estava no mesmo vôo, o ex-banqueiro aparentava tranqüilidade.

'Ele não estava algemado, estava acompanhado de alguns agentes e muito tranqüilo, com cara de férias', disse a estudante.

Segundo o advogado, Cacciola foi acompanhado por oito agentes da PF e pelo procurador da República Arthur Gueiros.

O advogado disse que espera conseguir um habeas corpus para Cacciola dentro de 15 dias.

'A prisão preventiva de 81 dias já expirou e há outras pessoas no caso que estão em liberdade', disse Eluf. 'Ele (Cacciola) não fugiu. Ele tinha um habeas corpus que o permitia sair do país pela fronteira', acrescentou o advogado.

Caso Marka

Em 2005, Cacciola foi condenado no Brasil a 13 anos de prisão pelo crime de desvio de dinheiro público e de gestão fraudulenta do Banco Marka. A sentença diz que os Bancos Marka e FonteCindam deram R$ 1,5 bilhão de prejuízo à União durante a crise cambial de janeiro de 1999. Como tem cidadania italiana, ele passou a viver na Itália e não podia ser preso porque o país não deporta seus cidadãos.

Cacciola foi preso no Principado de Mônaco em setembro de 2007 por agentes da Interpol, depois que a 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu o mandado. Posteriormente, o governo brasileiro pediu a extradição - deferida na semana passada pelo príncipe Albert II.

O ex-banqueiro deixou a prisão em Mônaco às 13h30 desta quarta-feira(8h30 em Brasília), rumo ao aeroporto local, escoltado por agentes da Polícia Federal. Cacciola estava preso em Mônaco desde 15 de setembro do ano passado.

Ele embarcou em um helicóptero, seguindo para o aeroporto de Nice, na França, onde embarcarcou em um vôo da Air France rumo a Paris, de onde partiu rumo ao Brasil.

A operação de extradição vinha sendo organizada havia 12 dias, quando o príncipe Albert 2º, soberano de Mônaco, homologou o parecer do Tribunal de Apelações do principado. A intenção inicial era promover a extradição do ex-foragido número 1 do Brasil na semana passada, mas trâmites burocráticos exigidos pelo governo da França comprometeram os planos.

Na sexta-feira, um enviado da Secretaria Nacional de Justiça chegou à Europa para acelerar o processo. Na terça (15) à noite, o mesmo representante viajou para o principado. Junto dele seguiu uma equipe da PF.

(*Com informações das agências Estado e Reuters)

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