Bruxelas, 14 nov (EFE).- A economia da eurozona entrou em recessão com a queda de 0,2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) entre julho e setembro, que também diminuiu entre abril e junho, segundo dados do escritório estatístico europeu (Eurostat).

Esta é a primeira ocasião, desde a criação da União Econômica e Monetária (UEM), em 1999, em que o PIB da região se contrai por dois trimestres seguidos, o que caracteriza uma recessão técnica.

Desde 1995, o primeiro ano do qual há registros, o PIB dos países que utilizam o euro nunca tinha caído e a pior evolução anterior aconteceu no segundo trimestre de 2003, quando a atividade não variou.

Esta queda da atividade econômica reflete a forte freada de todas as grandes economias da região e principalmente da maior potência econômica européia, a Alemanha, que entrou em recessão após as quedas de 0,4% e 0,5% do PIB no segundo e terceiro trimestres.

Essa situação atinge também a economia italiana (a atividade econômica retrocedeu 0,4% e 0,5% nos dois últimos trimestres) e é uma ameaça clara para a Espanha (o PIB do país caiu 0,2% entre julho e setembro, após subir 0,1% no segundo trimestre) e para o Reino Unido (queda de 0,5%, depois da estagnação entre abril e junho).

A economia francesa, que tinha retrocedido 0,3% no segundo trimestre, por enquanto escapa da recessão, graças ao leve crescimento da atividade econômica, de 0,1%, no terceiro trimestre.

Embora alguns dos novos Estados-membros (República Tcheca, Chipre, Lituânia e Eslováquia) mantenham certo dinamismo econômico, o conjunto da União Européia (UE) sofre uma contração clara, com uma queda de 0,2% do PIB entre julho e setembro, enquanto a atividade econômica não variou no segundo trimestre.

A crise também fica evidente ao comparar o crescimento atual com o de há um ano, pois embora a atividade econômica tenha crescido nos últimos 12 meses, a desaceleração é cada vez mais notada.

Concretamente, no terceiro trimestre, o PIB da eurozona avançou 0,7% em termos anualizados (contra 1,4% no segundo e 2,1% nos dois trimestres anteriores).

No caso da UE, o aumento foi de 0,8% (em comparação aos crescimentos de 1,7% no segundo trimestre, 2,3% no primeiro e 2,5% no quarto de 2007).

A Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE) já antecipou no início do mês que a economia européia entraria em recessão.

Bruxelas previu que tanto a eurozona quanto a UE chegarão ao fundo do poço no ano que vem, o que dará passagem a uma lenta recuperação, se a crise financeira não se agravar.

O Eurostat também divulgou hoje os dados oficiais referentes à inflação no mês de outubro.

Nesse mês, os preços não aumentaram nem na UEM nem em toda a UE, o que possibilitou um rebaixamento da taxa anual na eurozona para 3,2% (0,4 ponto percentual a menos que em setembro) e 3,7% na UE (0,5 ponto percentual a menos).

No caso da eurozona, esta é a taxa mais baixa desde janeiro, afirmou o Eurostat.

A desaceleração dos preços foi ainda maior na Espanha, onde a inflação anual caiu de 4,6% em setembro para 3,6%.

Em conseqüência, a diferença de preços no país em relação ao de outras nações que utilizam a moeda única européia ficou em 0,4 pontos percentuais, a menor desde janeiro de 2004. EFE epn/ab/jp

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