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Europa se divide sobre resgate bancário antes de reunião convocada pela França

A polêmica sobre a necessidade de um plano de resgate do setor bancário europeu atrapalhava os preparativos da cúpula que reunirá as quatro maiores economias do continente - Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália - para discutir a crise financeira.

AFP |

Os chefes de Estado e governo das quatro nações se reunirão em Paris no próximo sábado com o objetivo principal de buscar uma resposta comum para a crise financeira internacional, anunciou nesta quinta-feira a presidência francesa, que convocou a reunião de cúpula.

"Esta reunião de cúpula tem por finalidade preparar a contribuição dos membros europeus do G8 nos próximos encontros do grupo dedicados à crise financeira internacional", indicou o Eliseu em um comunicado.

Mas a idéia de que a Europa elabore um resgate financeiro semelhante ao proposto pelo governo dos Estados Unidos para evitar o colapso de mais bancos está gerando divisões no velho continente.

A Holanda propôs a criação de um fundo de reserva, que evitaria a quebra dos bancos europeus que estivessem passando por dificuldades, segundo o ministério das Finanças holandês.

A ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, sugeriu uma solução semelhante em uma entrevista ao jornal alemão Handelsblatt. Mas o presidente francês, Nicolas Sarkozy, negou que seu país tenha considerado criar um fundo de resgate europeu de 300 bilhões de euros, como haviam informado fontes européias.

"Desminto o montante e o princípio" de tal fundo, declarou Sarkozy, presidente em exercício da União Européia, sem fornecer mais detalhes.

A Alemanha também manifestou-se contrária à idéia de um fundo de resgate europeu nos moldes do aprovado pelo Senado americano nesta quinta-feira - que prevê a absorção dos ativos podres dos bancos por até 700 bilhões de dólares.

O chefe dos ministros das Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, considerou na quarta-feira que um plano assim "não é necessário na Europa", onde o setor financeiro "é mais estável".

Para Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), as instituições da União Européia não estão adaptadas para lançar um plano de socorro ao sistema bancário como o que está sendo adotado nos Estados Unidos.

Um plano similar ao anunciado pelo governo americano "não corresponde à estrutura política da Europa", declarou, destacando principalmente que a União Européia "não tem orçamento federal".

A divisão provocada pelo tema ameaça perturbar a cúpula convocada por Sarkozy, da qual participarão ainda Juncker, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e Trichet.

Outro sintoma das diferenças entre as idéias dos líderes europeus para enfrentar a crise financeira é a atitude do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que regaiu à decisão da Irlanda de garantir os depósitos em seis bancos irlandeses por 500 bilhões de euros.

Os ingleses acreditam que a medida irá distorcer a competição com seus próprios bancos em solo irlandês, e pode provocar uma fuga de capitais da Grã-Bretanha para a ilha vizinha.

Neste período de crise, a França pode pedir na cúpula de sábado mais flexibilidade das normas européias em relação ao déficit orçamentário, idéia mal vista pelos alemães.

As regras orçamentárias européias, fixadas pelo Tratado de Maastricht, estabelecem 3% do PIB como limite máximo do déficit público, embora liberem certas margens em caso de queda da atividade econômica.

bur-hr/ap/dm

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