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Europa na expectativa antes da votação do pacote da crise no Senado americano

Os mercados mundiais esperavam nesta quarta-feira a rápida adoção pelo Congresso americano de um plano de resgate dos bancos revisado e corrigido, enquanto a Europa se mobiliza para encontrar meios de reforçar o sistema financeiro diante da tempestade.

AFP |

O Senado americano votará novamente na noite desta quarta-feira o plano de resgate do setor bancário de 700 bilhões de dólares, após sua rejeição segunda-feira pela Câmara dos Representantes, que provocou um desabamento em Wall Street.

O presidente americano, George W. Bush, prometeu aos americanos e aos cidadãos do mundo que não era "o fim do processo legislativo". "Minha administração vai continuar trabalhando estreitamente com os dirigentes dos dois partidos", republicano e democrata, no Congresso, garantiu.

Ele respondeu assim indiretamente aos apelos das autoridades políticas de outros países, como a chanceler alemã, Angela Merkel, por um voto rápido do plano, "para restaurar a confiança dos mercados".

A votação no Senado americano será no fim da noite desta quarta-feira, após a festa do Ano Novo judaico. Isto significa que excepcionalmente ele se pronunciará antes que a Câmara dos Representantes examine novamente o plano na quinta-feira.

Numa tentativa de conquistar apoio dos republicanos, o novo projeto incluirá medidas para ampliar as reduções de impostos, um aumento do seguro desemprego e, principalmente, garantias federais para depósitos bancários individuais.

Dessa maneira, o plano revisado prevê aumentar de 100.000 para 250.000 dólares o teto de garantia aos correntistas em caso de quebra de seus bancos. Os candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, que haviam lançado esta proposta terça-feira, irão ao Senado na noite desta quarta-feira defender o projeto.

O presidente do comitê bancário do Senado comentou que alguns dos parlamentares que votaram contra o pacote estão arrependido diante das conseqüências de seu voto.

A Europa, por sua vez, estuda novas medidas para melhorar o funcionamento do sistema financeiro diante da intensidade da crise no continente europeu, mas um plano de resgate generalizado como o dos EUA ainda está fora de cogitação.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, indicou nesta quarta-feira que os países membros estão pensando em criar um sistema comum para proteger os depósitos bancários dos particulares no continente.

Os líderes da Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália se reunirão no sábado para discutir a crise que já forçou a nacionalização ou a venda a preços de desconto de vários bancos do Velho Continente, informou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

Juncker insistiu que a Europa não precisa de um plano de resgate como o americano porque seu sistema bancário não está no mesmo "estado dramático".

Mas depois dos resgates do banco belgo-holandês Fortis, do britânico Bradford & Bingley e do franco-belga Dexia, a saúde das instituições financeiras européias continua preocupante.

O governo italiano anunciou nesta quarta-feira que pretende adotar as medidas necessárias para garantir a estabilidade do sistema bancário, segundo o ministério da Economia e Finanças.

"Com o objetivo de proteger o mercado dos ataques especulativos devido ao clima de incerteza no sistema financeiro internacional, o ministério da Economia e Finanças e o presidente do Banco Central se comprometem a adotar as medidas necessárias para garantir a estabilidade do sistema bancário", afirma um comunicado ministerial.

O anúncio foi feito depois que as cotações dos maiores bancos da Itália, UniCredit e Intesa Sanpaolo, foram suspensas nesta quarta-feira por quedas excessivas.

Paralelamente, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, advertiu que não vai tolerar os ataques especulativos contra os bancos do país.

O comunicado não especifica as medidas que o governo pode adotar.

Para o ministério, as tensões no mercado "são injustificadas, já que os principais bancos são sólidos e têm liquidez satisfatória".

O governo francês procurava acalmar os rumores de que seu banco de poupança (Caisse d'Epargne), um dos maiores do tipo no país, estava perigosamente expostas à crise dos "subprime".

Segundo a imprensa francesa, o governo trabalha num plano de emergência para estimular a economia e apoiar os bancos.

As ações do maior banco suíço, o UBS, eram as que mais subiam na bolsa de Zurique devido aos rumores de que a instituição anunciará supressões de emprego em massa numa reunião geral extraordinária.

Os problemas dos bancos internacionais prosseguiam sem controle.

O Banco Central Europeu (BCE) concedeu créditos a um dia de 50 bilhões de dólares depois de ofertas pelas quais, na véspera, teve uma forte demanda, inclusive a uma taxa de 11%.

O Banco do Japão injetou 11,3 bilhões de dólares no mercado monetário pelo 11º dia consecutivo.

Vários economistas advertiram, no entanto, que grande parte do mercado de crédito interbancário mundial está virtualmente fechado.

Enquanto isso, as principais praças européias abriram em alta nesta quarta-feira: Paris subia 0,92%, Londres ganhava 0,80% e Frankfurt avançava 0,58%.

Na Ásia, Tóquio fechou em alta de 0,96%, depois da queda de 4,12% da véspera. Taiwan subiu 0,78%, mas as autoridades financeiras suspenderam por duas semanas as vendas a descoberto.

As Bolsas americanas abriram em baixa nesta quarta-feira: o Dow Jones perdia 0,89% e o Nasdaq recuava 0,56% no início das operações. No início dos trabalhos, o Dow Jones Industrial Average (DJIA) retrocedia 114,77 pontos a 10.735,89, e o índice Nasdaq, de forte componente tecnológico, cedia 10,58 pontos a 2.071,75.

O índice ampliado Standard & Poor's 500 perdia 14,56 pontos (1,25%) a 1.151,80.

"A política continua dirigindo o mercado de ações", observou Patrick O'Hare, da Briefing.com.

"Há uma tensão no ar em Wall Street, com o Senado tendo que se pronnciar sobre o plano de resgate", afirmaram os analistas da Schaeffers.

Depois de uma segunda-feira negra, a Bolsa de Nova York fechou em alta na segunda-feira, sem compensar a queda histórica da véspera, num mercado movido pela esperança de uma adoção rápida do plano de resgate: o Dow Jones ganhou 4,68% e o Nasdaq 4,97%.

Mais de um trilhão de dólares de capitalização viraram fumaça segunda-feira. O Dow Jones atingiu terça-feira, em pontos, uma alta tão histórica quando à queda da véspera.

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