As principais bolsas européias fecharam com queda hoje, com as perdas lideradas pelas ações do setores financeiro e varejista, diante das evidências de uma crise econômica mais severa na região. A zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda) vive uma recessão que pode ser profunda e prolongada, disse Marco Annunziata, chefe de economia global do UniCredit Markets & Investment Banking.

"Todas as ferramentas de política fiscal e monetária precisam ser empregadas para tirar a economia do limbo."

Os sinais de recessão econômica têm sido mais evidentes no Reino Unido, onde o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,5% no terceiro trimestre deste ano. O país entrou em recessão no segundo semestre de 2008, afirmou o Banco da Inglaterra (BoE, o banco central inglês) em seu relatório trimestral de inflação. Segundo o documento, a economia britânica continuará em contração no primeiro semestre de 2009 e deverá começar a se recuperar apenas entre abril e junho do próximo ano.

A Bolsa de Londres esboçou uma alta durante o pregão de hoje, refletindo a perspectiva de um corte na taxa básica de juros britânica em dezembro. Mas o índice inverteu o sinal na medida que os investidores digeriam a severidade da situação econômica. Ao fim dos negócios, o mercado londrino fechou em baixa de 1,52% a 4.182 pontos.

O banco britânico Barclays perdeu 6,03%. Os principais acionistas do banco ameaçam votar contra o aumento de capital do banco de 7 bilhões de libras (US$ 10,6 bilhões) mesmo que a instituição melhore os termos de seu acordo com investidores do Oriente Médio.

No segmento financeiro, as ações fecharam com queda generalizada. Os papéis da agência hipotecária alemã Hypo Real State recuaram 11,73% na Bolsa de Frankfurt após a divulgação de um prejuízo provisional de 3,1 bilhões de euros (US$ 3,89 bilhões) no período entre julho e setembro deste ano e o anúncio da conclusão das negociações com o governo para receber uma linha de liquidez de 50 bilhões de euros (US$ 62,7 bilhões). A Bolsa de Frankfurt encerrou os negócios do dia com queda de 2,96% a 4.620,80 pontos.

Ainda no setor financeiro, a seguradora Swiss Life recuou 20,05%. O grupo disse que não espera lucrar entre 1,8 bilhão e 1,9 bilhão de francos suíços (US$ 1,5 bilhão e US$ 1,6 bilhão) no ano, como havia previsto no fim de agosto. As ações do grupo holandês de serviços financeiros ING Group recuaram 3,90% depois de anunciar o primeiro prejuízo trimestral de sua história.

Em Milão, Unicredito Italiano subiu 0,65%. Novas regras contábeis fizeram com que o lucro operacional do banco aumentasse para 937 milhões de euros (US$ 1,174 bilhão). Contudo, a instituição confirmou queda de 54% no lucro líquido do terceiro trimestre. A Bolsa italiana fechou em baixa de 2,33%, a 20.227 pontos.

A companhia de produtos de luxo Louis Vuitton Moet Hennessy, cujas ações recuaram 11% ontem, recuou 0,1% hoje. A companhia tentou assegurar ao mercado que a expectativa de crescimento de vendas para a China continua forte, apesar dos comentários em contrário dos analistas.

Outras ações do setor de varejo tiveram desempenho pior diante da confirmação de que a norte-americana Best Buy está reduzindo previsões por conta da queda nos gastos dos consumidores. Em Londres, o Carphone Warehouse Group, que tem parceria nos EUA com a Best Buy, recuou 6,2%. Kingfisher terminou com queda de 4,5% e Next PLC fechou em baixa de 5,3%.

Entre as demais bolsas européias, a de Paris terminou em baixa de 3,07%, a 3.233,96 pontos. A petroleira Total perdeu os ganhos do dia e fechou com queda de 2,64%. ArcelorMittal recuou 9,58%, BNP Paribas teve baixa de 5,22%, Credit Agricole recuou 6,56% e Peugeot Citroën caiu 8,45%.

Em Madri, o índice IBEX-35 teve queda de 2,97%, a 8.646,80 pontos, pressionado pelas ações dos bancos. A Bolsa Lisboa recuou 1,41%, a 6.510,67 pontos, seguindo os demais mercados europeus. O banco BCP recuou 2,72% e o BES perdeu 6,83%. Galp ficou estável. As informações são da Dow Jones.

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