A aprovação pelo Parlamento grego das duras medidas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional não foi suficiente para acalmar os mercados financeiros, que voltaram a ter um dia de quedas nas bolsas de todo o mundo. Os investidores temem pelo futuro da zona do euro, já que outros países também se encontram em situação fiscal delicada.

A aprovação pelo Parlamento grego das duras medidas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional não foi suficiente para acalmar os mercados financeiros, que voltaram a ter um dia de quedas nas bolsas de todo o mundo. Os investidores temem pelo futuro da zona do euro, já que outros países também se encontram em situação fiscal delicada. Também há o temor de que um eventual calote grego arraste os bancos da região, que possuem quase US$ 190 bilhões em títulos da dívida do país. Nos Estados Unidos, o Senado se preparava para votar ontem à noite duas emendas polêmicas à Lei de Reforma Financeira que está em debate no Congresso: uma prevê auditoria no Fed, o banco central americano, e a outra exige o encolhimento de vários bancos. Mas a forte queda das bolsas americanas a Nasdaq chegou a recuar 9% e fechou com queda de 3,44% e a Bolsa de Nova York caiu 3,20% - pode ter sido causada pelo erro de um operador, que registrou ordem de venda de US$ 16 bilhões no lugar de US$ 16 milhões, em um contrato atrelado a índices futuros de ações. A crise na Europa também já respinga forte no Brasil, com a fuga de investidores estrangeiros da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nos dois primeiros dias úteis de maio, eles retiraram o equivalente a R$ 573 milhões da bolsa brasileira, deixando o saldo negativo, no ano, em R$ 1,86 bilhão. Ontem, o pânico com a crise europeia e a queda nas bolsas americanas afetaram a Bovespa, que chegou a cair mais de 6%. No fim do pregão, a Bolsa recuperou parte das perdas e fechou em queda de 2,31%. Além das consequências provocadas pela debandada de investidores, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, traz um alerta para a possibilidade de a interrupção da retomada do crescimento dos países desenvolvidos provocar movimento de deflação, com impacto na inflação. Como resultado, as altas dos juros poderão ser menores daqui para a frente. Na Europa, além do socorro de 110 bilhões e da obrigação de cortar gastos de 30 bilhões, o governo grego terá agora de convencer a população, que ontem voltou a entrar em choque com a polícia. Os debates no Parlamento também mostraram que o país está dividido. A crise europeia também promete reflexos políticos em outros países. No Reino Unido, já ameaça retirar de cena o primeiro-ministro Gordon Brown. Na Alemanha, que terá eleições regionais neste fim de semana, pode afetar a liderança da chanceler Angela Merkel, por eleitores irritados com a ajuda aos gregos. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.