Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - No final de uma sessão volátil nesta terça-feira, as preocupações com a crise fiscal da zona do euro e com o aumento da inflação na China prevaleceram e minaram a recuperação registrada na véspera pela Bovespa.

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - No final de uma sessão volátil nesta terça-feira, as preocupações com a crise fiscal da zona do euro e com o aumento da inflação na China prevaleceram e minaram a recuperação registrada na véspera pela Bovespa.

O Ibovespa chegou a esboçar nova alta ao longo da sessão, mas não resistiu à piora em Wall Street e fechou o dia desvalorizado em 1,57 por cento, a 64.424 pontos. O movimento financeiro do pregão foi de 6,08 bilhões de reais.

Após a euforia pelo pacote de 1 trilhão de dólares costurado para evitar que a derrocada da Grécia coloque em xeque a moeda da União Europeia, investidores passaram a embutir nos negócios a expectativa de um ciclo de baixo crescimento econômico na região. O principal índice de ações europeu voltou a cair.

"Também há muita apreensão pelos pacotes de ajuste fiscal em vários países da região, que devem enfrentar muita dificuldade política para serem aprovados", disse o gerente de pesquisa da Planner Corretora, Ricardo Tadeu Martins.

Essa leitura mais negativa contaminou os mercados de commodities, que também foram pressionados pela divulgação de um índice mostrando que a inflação na China bateu no maior patamar em 18 meses.

"Os números trouxeram mais argumentos para que haja mais medidas lá para desacelerar a economia", acrescentou Martins, frisando que esse cenário deve impactar as importações de matérias-primas.

Não por acaso as ações de empresas domésticas foram algumas das que mais sofreram. MMX puxou a fila no ramo de mineração e siderurgia, tombando 3,8 por cento, a 10,95 reais. O papel preferencial da Vale cedeu 1,66 por cento, saindo a 44,40 reais.

LLX, braço de logística do grupo EBX, tombou 6,6 por cento, negociada a 7,61 reais. A companhia divulgou resultado do primeiro trimestre.

BM&FBovespa, que apresenta o seu resultado ainda nesta noite, desabou 5,7 por cento, para 10,70 reais.

A pressão sobre o Ibovespa foi contida apenas parcialmente pelos fortes ganhos das ações de empresas de telefonia, após a oferta de 5,7 bilhões de euros da espanhola Telefónica pela fatia da Portugal Telecom na Vivo, que foi recusada.

A ação preferencial da Vivo teve ganho de 5,05 por cento, a 47,80 reais. O papel com direito a voto da companhia, que não integra a carteira teórica do Ibovespa, decolou 34 por cento, para 58,30 reais.

Na cola da notícia, a preferencial da TIM Participações avançou 5,3 por cento, a 4,80 reais, enquanto a ordinária saltou 8,1 por cento, para 6,57 reais. A Telefónica tem participação no capital da Telecom Italia, que controla a TIM.

O movimento da Telefónica poderia provocar um impacto positivo na TIM, já que esta poderia ser o alvo seguinte da operadora espanhola, caso fracasse na tentativa de comprar a participação da Portugal Telecom na Vivo, disse o Banif, em relatório.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.