A economia dos EUA vai continuar a crescer em 2010 e isto ajudará a garantir que o dólar se firme, disse o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke. Em discurso apresentado esta tarde no Clube Econômico de Nova York, Bernanke fez vários comentários sobre o dólar, algo raro para um presidente de banco central norte-americano.

Nos EUA, os temas relacionados ao câmbio costumam ser tratados pelo secretário do Tesouro. A fala de Bernanke não foi suficiente para reverter o movimento de queda da moeda norte-americana esta tarde. Às 17h15 (de Brasília), o euro superava US$ 1,50, sendo negociado US$ 1,5015, de US$ 1,4920 na sexta-feira.

Bernanke disse que o Fed vai continuar monitorando de perto o recente declínio do dólar - que tem perdido valor recentemente, enquanto a atividade econômica global parece se reativar e os investidores deixam de procurar a segurança dos ativos denominados na moeda norte-americana.

Mas, ao mesmo tempo, Bernanke reiterou que as taxas de juro do Fed devem continuar em recorde de baixa por algum tempo por causa da fragilidade da recuperação. Para impulsionar o valor do dólar, o BC teria de elevar o juro, aumentando assim o retorno dos investidores sobre seus ativos em dólar.

Segundo o presidente do Fed, a solidez subjacente da economia norte-americana vai ajudar a assegurar que o dólar seja forte e uma fonte de estabilidade financeira global. Da mesma forma, disse, o compromisso do Fed com seus dois objetivos primordiais, que são garantir o emprego máximo e a estabilidade de preços, devem ajudar a moeda norte-americana.

"Estamos atentos às implicações das mudanças no valor do dólar e continuaremos a formular a política para evitar riscos aos nosso duplo mandato de estimular tanto o emprego máximo quanto a estabilidade de preços", disse Bernanke no texto preparado para o discurso.

O presidente do Fed alertou, no entanto, que a recuperação econômica dos EUA é ameaçada pela fraqueza no mercado de trabalho e pelo crédito bancário escasso, sinalizando que os juros não subirão.

As declarações de Bernanke sobre a moeda foram feitas um dia depois de um importante regulador bancário da China ter criticado os EUA por manterem os juros baixos e o dólar fraco, afirmando que isso está encorajando a especulação nos mercados mundiais. A promessa do Federal Reserve de manter o juro dos EUA extraordinariamente baixo por um período prolongado "já levou a massivos carry trades e massivas especulações", disse Liu Mingkang, no Fórum Financeiro Internacional ontem, em Pequim, iniciado apenas horas antes de o presidente norte-americano, Barack Obama, chegar à China para sua primeira visita.

Em seu primeiro discurso oficial desde que o Fed decidiu, no último dia 4, manter o juro próximo de zero, Bernanke afirmou que os empregos devem continuar escassos e a inflação baixa por algum tempo. "O declínio no emprego e o aumento na taxa de desemprego tem sido mais severos do que em qualquer outra recessão desde a Segunda Guerra", alertou Bernanke. A economia dos EUA está se recuperando lentamente da pior recessão desde a Grande Depressão. Embora tenha se expandido no terceiro trimestre pela primeira vez em mais de um ano, a recuperação continua frágil, com o desemprego em 10,2% em outubro, maior taxa em 26 anos. As informações são da Dow Jones.

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