As vendas no setor varejista americano caíram em dezembro pelo sexto mês consecutivo, em um acelerado retrocesso que reflete um novo movimento de queda do consumo e certamente terá forte impacto sobre o crescimento do último trimestre de 2008.

As vendas varejistas nos Estados Unidos sofreram uma redução de 2,7% em relação a novembro, segundo dados oficiais corrigidos pelas variações sazonais publicados nesta quarta-feira pelo departamento do Comércio, em Washington.

A queda é bem maior do que a esperada pelos analistas, que calculavam um retrocesso de 1,2% do índice.

Comparadas ao nível registrado em dezembro de 2007, as vendas no varejo despencaram 9,8%, indicou o departamento.

Ao todo, as vendas varejistas caíram 0,1% no acumulado de 2008 em comparação ao ano anterior - em 2007, no entanto, o varejo havia registrado um aumento de 4,1% em relação a 2006. É o primeiro retrocesso anual desde que o índice começou a ser calculado, em 1992.

Se excluídas as vendas de gasolina - que diminuíram devido à baixa dos preços do petróleo -, as vendas no varejo caíram pelo sétimo mês consecutivo em dezembro, com -1,4%, após os -0,2% amargados em novembro.

Excluindo ainda as vendas de automóveis, que há vários meses vêm provocando a queda do índice, o indicador retrocedeu em dezembro 3,1% em relação ao mês anterior, depois de uma redução de 2,5% em novembro. Mais uma vez, é a queda mais forte já registrada desde o início da publicação do índice.

Por outro lado, as revisões dos diferentes componentes do índice mostram que as quedas de outubro e novembro foram mais fortes do que o estimado até agora. O indicador geral retrocedeu 3,4% em outubro e 2,1% em novembro.

As vendas no varejo proporcionam uma boa noção da tendência do consumo das famílias, tradicional motor do crescimento econômico americano. No terceiro trimestre, o crescimento caiu 3,8%, levando a uma queda de 2,75 pontos do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que caiu 0,5% a ritmo anual.

mj/ap

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