Em pedaços depois do colapso, a Organização Mundial do Comércio (OMC) tenta recolher os cacos e pensar no futuro. Um dia após o fracasso da negociação, o governo americano sugeriu que o modelo adotado na Rodada fosse substituído por acordos em assuntos onde houvesse consenso.

O chanceler Celso Amorim deixa claro que a proposta não funcionaria, já que apenas um pacote poderia ser aceito por negociadores.

Ontem, ministros, embaixadores e negociadores que passaram centenas de horas na OMC deixaram Genebra. Mas o processo terminou sem definição. Não há um entendimento nem sobre quando uma nova reunião seria convocada nem sobre em quais bases ela ocorreria. Todos insistem que os avanços precisam ser preservados. Mas ninguém sabe dizer como.

Uma das poucas idéias concretas foi apresentada pela representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, acusada de ser uma das responsáveis pelo fracasso. A regra estabelece que todos os temas precisam ser acordados antes da assinatura de um tratado. Por isso, parte do processo se complica, já que governos exigem pagamentos em vários setores por concessões feitas em uma área.

Schwab defende a aprovação de pacotes à medida que forem negociados. "A OMC é vital. Se ela não existisse, teriamos de tê-la criado. Mas a complexidade da catedral da Rodada Doha é sua pior inimiga", disse a americana. "Nunca na história houve uma negociação tão complexa como essa. São 153 países, com milhares de tarifas, serviços e outros assuntos."

Para Amorim, dificilmente os países aceitariam isso. "Muitas concessões que países emergentes fariam somente poderiam ocorrer se soubessem o que ganhariam em agricultura. Então, fica difícil compartimentar o processo." Já o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, pediu que os avanços fossem preservados. "Precisamos pensar nos próximos passos depois de baixar a poeira."

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