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SÃO PAULO - O Congresso dos Estados Unidos renovou na sexta-feira os benefícios do Sistema Geral de Preferências (SGP), sem restrições, até o dia 31 de dezembro de 2009. Os empresários brasileiros, no entanto, já estão preocupados com a próxima etapa, pois o governo americano prometeu uma ampla reforma de seus sistemas de preferência de comércio para países pobres no próximo ano.

O programa, que reduz as tarifas de importação para alguns produtos, beneficiou quase 14% das exportações brasileiras para os EUA em 2007, o equivalente a US$ 3,4 bilhões. A importância do SGP para o país já foi maior. Em 1997, 23% dos embarques brasileiros para o maior mercado do mundo usufruíram dos benefícios, conforme dados da United States International Trade Comission (USITC).

Também foi aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos a renovação dos programas de preferências tarifárias para os países andinos. Para Colômbia e Peru, o benefício foi estendido por mais um ano. Para Bolívia e Equador, apenas por seis meses. Os EUA ameaçam retirar os dois países do programa, por conta de atritos políticos.

A Bolívia, presidida por Evo Morales, expulsou o embaixador americano. Já o Equador teve problemas com petroleiras dos EUA. Apesar da renovação por seis meses, a ameaça não diminuiu. O governo dos EUA abriu uma audiência pública para avaliar a exclusão da Bolívia. O programa de preferências tarifárias para os países andinos é mais abrangente que o SGP, mas também exige contrapartidas mais rígidas, incluindo o controle do tráfico de drogas.

Uma das exigências do senador republicano de Iowa, Charles Grassley, que é líder da minoria do poderoso Comitê de Finanças do Senado dos EUA, foi um acordo com os democratas, que garante a discussão de uma ampla reforma do SGP em 2009. Para Grassley, o programa perdeu o sentido, porque não beneficia os produtos dos países pobres, mas apenas os grandes emergentes como Brasil e Índia.

Segundo Diego Bonomo, diretor-executivo do Brazil Information Center (BIEC), em Washington, o Congresso americano já possui uma base técnica consistente para um ampla reforma. " Se fizermos um trabalho de lobby intenso, como aconteceu nos últimos dois anos, podemos manter os benefícios, mas talvez nossa lista seja reduzida. "
A rapidez dessa renovação do SGP surpreendeu positivamente os brasileiros, que acreditavam que só haveria alguma decisão depois das eleições. Para os empresários, a mudança de postura do Brasil na Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC), deixou os americanos mais simpáticos ao país.

(Raquel Landim | Valor Econômico)