Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

EUA quer pelo menos dois acordos setoriais na indústria na OMC

GENEBRA - Os Estados Unidos aumentaram a cobrança sobre o Brasil, China, Índia e outros emergentes na área industrial na Rodada Doha, exigindo agora que essas economias se comprometam com a negociação de dois grandes acordos setoriais, pelo menos.

Valor Online |

 

Significa aceitar acelerar mais rapidamente a liberalização nesses setores, com eliminação ou redução substancial de tarifas. Negociadores estimam que os EUA têm interesse principalmente nos setores de automóveis e químicos. Os emergentes reagem, dizendo ser fora de questão negociar algo obrigatório, quando não queriam discutir nem acordo voluntário.

A negociação de produtos industriais estava mais complicada do que na área agrícola, esta madrugada, na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA e a UE pegaram pesado, na reunião que terminou na madrugada, enquanto o Brasil refletia também a posição da Argentina, país particularmente isolado pela resistência a fazer concessões no setor industrial.

Entidades sindicais, reunidas em Genebra, pediram para o Brasil não aceitar corte de 61% nas tarifas (coeficiente 19), o percentual mais ambicioso na negociação, alegando que isso faria o desemprego aumentar.

Enquanto os EUA insistem em acordos setoriais - agora na prática obrigatórios -, a União Européia insistia numa cláusula anti-concentração pela qual os emergentes não poderiam proteger todo um setor de amplos cortes tarifários. "É uma coisa maluca como estão pedindo", reagiu um negociador.

O mais visado é o setor automotivo, de especial interesse dos europeus.

A Anfavea enviou uma delegação a Genebra e alertou negociadores do Itamaraty de que um acordo ambicioso na área industrial na Rodada Doha causará perdas na capacidade das companhias de atrair investimentos das matrizes em novas plantas e produtos no país.

Acompanham as negociações em Genebra um vice-presidente, Antonio Sergio Martins Mello, da Fiat; Antonio Megale, da Volkswagen e Pedro Bittencout, da GM.

A Anfavea argumenta que, se o Brasil aceitar um corte significativo de tarifas de importação, o crescimento das importações terá conseqüências negativas sobre a competitividade do setor automotivo no país e revisão dos planos de investimentos.

A preocupação é também com os novos competidores da Ásia, principalmente China e Índia com produção crescente a preços baixos que poderão aproveitar a queda tarifária para tomar fatias do mercado nacional.

A Anfavea pede para o governo não aceitar de jeito nenhum um acordo setorial automotivo proposto pelo Japão, principalmente, que aceleraria a redução tarifária. A indústria prefere acordos bilaterais para troca de preferências, ao invés da negociação na OMC onde a abertura é para todos os outros países (MNF, a cláusula da nação mais favorecida).

A Fiesp, a Confederação Nacional da Indústria, os setores de celulose e papel e também de autopeças mandaram representantes a Genebra.

Leia também:

 

Leia mais sobre Rodada Doha  

Leia tudo sobre: rodada de doha

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG