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EUA propõem para 2020 volta à taxa de emissão de CO2 de 1990

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não tomou posse nem participa da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, em Poznan, Polônia, mas em torno de suas idéias giram parte das negociações internacionais em curso. União Européia, Brasil, China, Índia e outros grandes emissores de gases de efeito estufa multiplicam consultas entre si, nos bastidores, tentando encontrar um discurso que responda à nova proposta americana, que deve sugerir o retorno de suas emissões em 2020 ao patamar de 1990 - ou seja, 0% de redução.

Agência Estado |

A proposta de Obama provoca em Poznan um misto de pragmatismo e indignação. A sugestão representa um avanço dos EUA em relação à posição do governo de George W. Bush, que não ratificou o Protocolo de Kyoto, impediu acordos nos últimos oito anos e reconheceu que suas emissões crescerão até 2025.

Com um discurso inverso, Obama reconhece o risco representado pelas mudanças climáticas. Em cúpula internacional realizada em 18 de novembro, em Beverly Hills, na Califórnia, o presidente eleito disse que sua administração "se engajaria energicamente" nas negociações internacionais sobre as mudanças climáticas. "Esperar não é mais uma opção. A negação não é mais uma resposta aceitável. Os interesses são muito importantes, e as conseqüências, muito graves", discursou.

Apesar do tom, a primeira proposição real dos assessores de Obama para ambiente é modesta. Os EUA estariam dispostos a, em 2020, retornar ao nível de emissões de 1990 - um período no qual o nível de poluição atmosférica gerada pelo país cresceria 14%. A proposta de Obama é inferior até mesmo ao previsto no Protocolo de Kyoto, assinado em 1997. No tratado, os países signatários assumem o compromisso de reduzir em 5% suas emissões até 2012, em relação ao patamar de 1990. Em Poznan, as discussões são mais ambiciosas: giram em torno de 25% a 40% de redução em 2020, também comparando a 1990. A União Européia propõe emitir em 2020 20% menos.

Nos bastidores, os europeus discutem com outras delegações qual posição adotar ante a proposta de Obama. No sábado, durante reunião, o Brasil foi consultado sobre o tema. "É uma questão difícil. De um lado, a idéia dos EUA não oferecerem corte nenhum até 2020 parece inaceitável, já que todos os outros países estão se esforçando. Mas, por outro lado, pensando de forma pragmática, é um avanço", disse ao Estado o embaixador Sérgio Serra, membro da delegação brasileira na Polônia. "O que não aceitaremos é que os países em desenvolvimento tenham de cortar emissões para compensar o que os EUA deixam de fazer." Outros países também já haviam revelado insatisfação. China e Índia declararam que a meta de Obama é insuficiente. Canadá, Japão e Austrália, cujos governos haviam concordado, na 13ª conferência, no ano passado, em Bali, discutir um esforço de redução das emissões entre 25% e 40%, agora se esforçam para retirar a proposta da mesa de negociações.

Embora Obama se mostre favorável a um acordo internacional, as linhas gerais de sua proposta podem estar bloqueando a evolução das negociações rumo a um acordo em Poznan. Harlan Watson, chefe da atual representação dos EUA - ainda nomeado por Bush -, não se mostrou contagiado nem mesmo ao falar sobre a chance de consenso na próxima conferência, prevista para Copenhague, em 2009: "Não será fácil chegar a um acordo até lá."

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