Inaugurando oficialmente a temporada de compras de Natal, as lojas nova-iorquinas multiplicaram suas ofertas para atrair os compradores nesta edição da Black Friday, a tradicional sexta-feira de liquidações após o Dia de Ação de Graças, num momento em que a drástica redução do nível de consumo é um dos maiores temores da economia americana.

"Há ofertas melhores do que no ano passado, e hoje compramos todos os presentes para o Natal. Estamos tentando economizar o máximo possível", disse nesta sexta-feira Javier Rodríguez, na porta de uma loja de eletrônicos em Manhattan.

Acompanhado da mulher e dos filhos, Rodríguez, de origem porto-riquenha, conta que chegou às três da manhã para as compras, mas admite: "Estou um pouco preocupado com a crise, mas como temos crianças, precisamos comprar as coisas de um jeito ou de outro".

A 'Black Friday' é considerada pelos comerciantes um eficiente termômetro para medir o ânimo dos consumidores - e, conseqüentemente, a saúde da economia.

Segundo estatísticas oficiais, o consumo familiar nos Estados Unidos voltou a cair em outubro, 1,0% em relação a setembro - a maior redução mais brusca desde setembro de 2001.

Ao todo, 58% dos habitantes de Nova York pretendem gastar menos este ano com presentes de Natal por causa da crise, e mais da metade considera que suas finanças estão em pior estado, segundo uma pesquisa da Universidad Quinnipiac publicada esta semana.

"Teremos um Natal amargo este ano, as pessoas estão sentindo a crise econômica, comprando menos e deixando de viajar nas férias", lamentou o diretor da divisão de pesquisas da Universidade, Douglas Schwartz.

No etanto, algumas lojas da Rua 34, em Nova York, amanheceram lotadas nesta 'Sexta-Feira Negra'. A Ann Taylor, que vende roupas femininas, está oferecendo às clientes um desconto de 20% para todas as compras feitas antes do meio-dia, enquanto a Banana Republic alardeava cortes de 40% e a Lane Bryant anunciava: "Compre uma e leve duas".

Na popular Macy's, os clientes também se acotovelavam em busca das melhores ofertas. No entanto, outras lojas menos incensadas não estavam tão cheias.

Mesmo assim, um executivo da rede de eletrônicos Best Buy mostrou otimismo em uma entrevista à rede de televisão NBC: "Estamos muito felizes com a quantidade de gente que saiu às ruas para compra na manhã de hoje. Estamos vendendo bastante. É um bom dia".

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