São Paulo, 6 - O ministro do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, André Corrêa do Lago, disse hoje, durante seminário de Exportação e Logística para o Etanol, que dificilmente os Estados Unidos eliminarão a tarifa de importação do etanol, o que possibilitaria o aumento das importações do produto brasileiro. Segundo ele, uma redução neste imposto é o mais provável, mas mesmo assim depende de muitas negociações no parlamento norte-americano.

Lago acredita que a administração Barack Obama tem um grande desafio pela frente em função de seu discurso que prega mudanças na política ambiental.

"Quanto mais ele bater nesta tecla, será melhor para o etanol brasileiro. Porém, quanto mais ele defender uma política ambiental firme para os biocombustíveis, mais claro vai ficar a importância da cana-de-açúcar do Brasil nesta questão, o que deve causar uma reação muito forte dos lobbies agrícolas dos EUA", disse. Ele explicou que já existe uma forte reação contrária ao etanol amparada em questões sociais e ambientais que estão anulando o fato de este combustível à base de cana ser o mais viável economicamente.

Para Lago, a criação de mercado internacional de etanol ainda depende da superação de vários obstáculos significativos, dos quais o protecionismo é apenas um deles. O ministro explica que o Brasil tem de lidar com dois prováveis parceiros, os Estados Unidos e a União Europeia, que possuem motivos diferentes para investir em biocombustíveis. Enquanto os Estados Unidos procuram mais segurança energética e uma maior independência dos produtores de petróleo, a União Europeia está interessada em evitar o agravamento das mudanças climáticas. "São duas agendas diferenciadas e o Brasil precisa se adaptar às duas", disse.

Expansão da Produção

Segundo ele, a criação de um mercado internacional de etanol depende da expansão da produção para vários países. "Os Estados Unidos não irão, por exemplo, trocar a dependência de 12 países árabes por petróleo por apenas um país produtor de etanol", explica. Em um memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos, o Brasil já está realizando estudos de viabilidade em vários países da América Central e da África para implementar a produção de etanol. "Estudos já foram feitos pela Fundação Getúlio Vargas sobre a viabilidade de países como Haiti, São Cristóvão e Neves e El Salvador com a constatação de que existem muitas limitações técnicas e também de recursos para a implementação de um processo produtivo", disse. Lago informou que estudos também estão sendo realizados para estudar a viabilidade do etanol na Jamaica, Guatemala, Honduras, Guiné-Bissau e Senegal.

"A África tem surgido como uma região potencial para o desenvolvimento do etanol mas esta implementação tem que ser feita de forma sustentável", acredita. Segundo ele, a União Europeia pode não aceitar financiar a produção de energia na África em detrimento da produção de alimentos. Porém, de acordo com o executivo, muitos países africanos estão interessados na produção de etanol em função principalmente da possibilidade da produção de bioeletricidade através do bagaço. "De repente, abriu-se a possibilidade de muitas regiões africanas terem energia elétrica possibilitada pelo bagaço de cana, de forma barata e como um subproduto do etanol", explica Lago.

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