Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

EUA oferecem reduzir subsídios agrícolas para destravar Rodada de Doha

Os Estados Unidos se ofereceram nesta terça-feira para reduzir seus subsídios agrícolas de US$ 17 bilhões a US$ 15 bilhões anuais e assim desbloquear as negociações multilaterais da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio), mas o Brasil considerou a proposta insuficiente.

AFP |

"Em troca de um acesso ambicioso aos mercados, estamos prontos para reduzir nosso apoio interno que distorce o comércio a US$ 15 bilhões", afirmou representante americana do Comércio, Susan Schwab, em entrevista à imprensa em Genebra.

"É um passo muito importante, que damos de boa fé, à espera das propostas dos outros", afirmou a funcionária, referindo-se aos pedidos de Estados Unidos, e também União Européia, por um acesso maior a seus produtos industriais nos países em desenvolvimento.

Schwab pediu ainda, em contrapartida, que os demais países se comprometam em evitar queixas contra os EUA na OMC por questões ligadas aos subsídios agrícolas.

O Brasil - que lidera junto com a Índia o G20 dos países emergentes - considerou insuficiente a redução proposta pela maior economia do planeta.

A proposta é uma "boa tentativa de relançar a Rodada de Doha, mas a soma dos subsídios continua sendo ainda muito elevada", disse um funcionário da delegação brasileira, que não quis se identificar.

As discussões na OMC têm como base as quantias máximas autorizadas de subsídios ("subsídios consolidados"), e não os realmente concedidos, que em alguns anos são menores.

De fato, os distribuídos ano passado pelos EUA foram de US$ 8 bilhões, pelo que Washington poderia aumentar suas ajudas ainda em US$ 7 bilhões se a OMC aceitar a proposta de Schwab de estabelecer o topo em US$ 15 bilhões.

Schwab explicou que o nível relativamente fraco de subsídios de 2006 e 2007 se deve à escalada de preços das matérias-primas agrícolas nos mercados mundiais. Nos Estados Unidos, os subsídios são calculados em função da diferença entre as cotações mundiais e os preços pagos aos agricultores.

"Os preços sobem, os preços caem", comentou, alegando que seu governo deve manter uma margem para ajudar os agricultores necessitados caso as cotações caiam.

Nos últimos 10 anos, estes subsídios superaram sete vezes a barreira dos US$ US$ 15 bilhões.

O máximo de subsídios autorizado atualmente pela OMC nos EUA é de US$ 48 bilhões. No fim de 2005, Washington propôs reduzi-los a US$ 22,5 bilhões e melhorou esta oferta a US$ 17 bilhões ano passado.

A queda destes subsídios com forte impacto no comércio é um dos grandes objetivos dos países em desenvolvimento na Rodada de Doha. O G20 de países emergentes propôs cortá-los a US$ 12 bilhões: o texto em discussão em Genebra deixa em aberto uma margem de US$ 13 bi a 16,4 bilhões.

Considera-se que estes subsídios têm um forte impacto sobre os fluxos comerciais por estarem vinculados aos níveis de preços ou de produção, com o qual incentivam o excedente de produção.

O projeto de acordo da OMC prevê vincular as ajudas aos agricultores a outros critérios, por exemplo a melhoras de gênero ambiental.

A Rodada de Doha foi criada na Capital do Qatar em 2001, com a missão expressa de reequilibrar o desenvolvimento dos países prejudicados pela liberalização dos mercados nos anos 90, dentro da Rodada do Uruguai, que não incluiu a agricultura.

Por isso, os países pobres e emergentes consideram que corresponde aos EUA e à Europa fazer suas propostas, para estudar em seguida as recompensas.

Qualquer acordo abriria a porta para a solução em todos os demais temas, como o meio ambiente ou as regras comerciais, e a esperança de uma aprovação antes da mudança de presidente nos EUA, em janeiro próximo.

Os acordos devem ser aprovados por todos os membros da OMC, que a partir de quarta-feira serão 153, com a adesão de Cabo Verde.

bur-js/lm

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG