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EUA iniciam ‘ataque’ ao mercado brasileiro

Um grupo de 130 empresários americanos se reuniu ontem em um dos mais requintados hotéis de São Paulo. Atenta, a plateia ouviu vários especialistas para aprender tudo sobre o Brasil: setores com mais oportunidades, comportamento do consumidor, impostos e barreiras, logística, e até como não tomar calote.

AE |

Um grupo de 130 empresários americanos se reuniu ontem em um dos mais requintados hotéis de São Paulo. Atenta, a plateia ouviu vários especialistas para aprender tudo sobre o Brasil: setores com mais oportunidades, comportamento do consumidor, impostos e barreiras, logística, e até como não tomar calote. O objetivo era um só: "atacar" o mercado brasileiro. Junto com China e Índia, o Brasil se tornou um dos foco da estratégia do presidente Barack Obama para dobrar as exportações dos Estados Unidos em cinco anos. Com alta de 7% prevista para o Produto Interno Bruto este ano, o País está na mira de novos negócios dos países ricos. "O Brasil é prioridade na nossa estratégia de exportações", disse o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Thomas Shannon. "Obviamente China e Índia são muito atrativas. Mas, no curto prazo, as oportunidades são maiores no Brasil, por causa da Copa e das Olimpíadas." A missão de promoção de exportações que começou ontem é a maior já organizada pelos EUA. Eventos parecidos ocorreram na Polônia e na Turquia, mas reuniram menos empresários. Muitos setores estão na mira dos americanos, com destaque para petróleo, gás, energia renovável, farmacêutico e cosméticos. Segundo funcionários do governo, a missão é um "primeiro passo" na ofensiva ao mercado brasileiro. Desde o início do governo Obama, nove secretários (equivalente a ministros) estiveram no Brasil, incluindo o titular do Departamento de Comércio, Gary Locke. Na semana que vem, o subsecretário de comércio internacional, Francisco Sanchez, desembarca em Brasília. Uma missão empresarial do setor de defesa chegará em setembro. E o governo americano quer levar mil empresários brasileiros aos EUA para conhecer os produtos. Se a ofensiva americana funcionar e o Brasil não conseguir aumentar suas exportações, o resultado pode ser uma piora do saldo com os Estados Unidos. No ano passado, o País registrou déficit de US$ 4,4 bilhões com os EUA, o primeiro desde 1999. Estratégia. Exportar se tornou fundamental para os EUA. O governo Obama lançou a "Estratégia Nacional de Exportações", com o objetivo de dobrar as vendas externas em cinco anos e gerar dois milhões de empregos. Outro efeito positivo é reduzir o déficit comercial. Pela primeira vez, o governo americano reuniu 19 agências para estimular as exportações de pequenas e médias empresas, com crédito e promoção comercial. O Eximbank americano liberou US$ 2 bilhões. "Exportar mais nos ajuda a resolver os problemas criados pela recessão", disse o secretário-adjunto de Comércio dos EUA, Suresh Kumar. "Em alguns países europeus, as exportações correspondem a 25% do PIB. Nos EUA, é pouco mais de 10%." Os empresários americanos relatam que seu mercado interno começou a melhorar após o forte impacto da crise. Eles avaliam, porém, que exportar se tornou uma questão de sobrevivência, porque é a única maneira de alavancar os negócios. "Costumamos dizer que, se sua companhia não está crescendo, está morrendo", disse Keith Marcott, vice-presidente da Tridydro, empresa de consultoria ambiental. Ele procura um parceiro para vender seus serviços às usinas de etanol. Para ajudar suas empresas a exportar mais, os EUA atravessam uma profunda mudança em sua diplomacia. Antes da crise, a crença do governo americano é que bastava fechar acordos de livre comércio e eliminar barreiras para que as exportações deslancharem. Hoje, perceberam que é preciso fazer mais. "Estamos reconhecendo que nossas companhias competem com empresas com forte conexão com os Estados ou até mesmo estatais, como no caso dos chineses", disse Shannon. "Essas empresas tem acesso a recursos que nossas companhias individualmente não podem atingir. Por isso, o governo americano tem que estar no jogo". Eficientes. No Brasil, a máquina americana já dava sinais de funcionar bem. O Departamento de Comércio marcou 300 encontros com empresários brasileiros - o que significa mais de duas reuniões para cada empresário que participa da missão. "Eles são excelentes", relata Bonnie Koch, presidente da empresa californiana Theravie, que vende produtos de beleza para spas. Ela participou de uma missão para a Polônia em 2009. A partir dessa viagem, a empresa, que não exportava, passou a vender para Polônia, Áustria, África do Sul e Suécia. A Theravie busca de um distribuidor para seus produtos no Brasil. Para as palestras de ontem, o governo dos EUA convocou algumas das mais atuantes empresas americanas no Brasil, como Walmart e General Eletric. O vice-presidente da divisão de atacado do Walmart no Brasil, Marcelo Vienna, explicou o funcionamento do mercado local, contou sobre o crescimento do Nordeste e deu uma dica preciosa sobre o câmbio. "A taxa cambial no Brasil favorece importações. Hoje 7% do que vendemos aqui vem de fora. Vamos dobrar isso em cinco anos", disse Vienna. China. Apesar das oportunidades que enxergam no País, os empresários americanos parecem conscientes dos desafios. Dois entraves são apontados como os principais: altas tarifas de importação e a concorrência chinesa. Em 2009, a China ultrapassou os EUA como o maior parceiro comercial do Brasil. Em uma palestra exclusiva sobre a China, uma funcionária do Departamento de Comércio dos EUA disse que a América Latina se tornou "um alvo suculento" para os chineses, que compram commodities e vendem manufaturados. "Os chineses têm sido muito espertos. Trata-se de uma estratégia cuidadosamente planejada. Não podemos partir do pressuposto que o mercado latino-americano é nosso", disse a funcionária. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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